Entrevista com Annabela - Jogo em Domine Mathesis (Encerrado)

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Entrevista com Annabela - Jogo em Domine Mathesis (Encerrado)

Mensagem por Admin em Seg Abr 27, 2015 12:21 pm

[Resumo: Theodore Lung, repórter do Diário do Lago, convida Annabela para uma entrevista em Domine Mathesis.]



Introdução:
*O periódico de maior circulação do continente, Diário do Lago, enviou um representante para Domine Mathesis a fim de manter o jornal atualizado de tudo o que acontecia na conturbada cidade. Lei concordou com isso pois, além de não ter custo nenhum porque o Diário pagava a estadia, alimentação e transporte do correspondente, também poderia usar esse meio de comunicação a seu favor.*
*Morando na cidade, não demorou até que o homem ficasse conhecido pelos habitantes. Seu nome era Theodore Lung e não tinha mais que vinte e cinco anos. Ao falar com ele, era perceptível que recebera uma boa educação, sabendo ler e escrever em quatro línguas diferentes. Ele fez amizade com a população, primeiro porque tinha uma habilidade natural para fazer novos amigos e segundo porque sabia que seu trabalho se tornaria mais fácil se tivesse o apoio dos cidadãos mathesianos.*
*Seu foco, entretanto, era a família Keylosh. Todos no Diário sabiam que Lei Keylosh era uma figura polêmica e polarizadora e o segredo para descobrir mais sobre ele estava nas pessoas ao seu redor. Theodore andava para cima e para baixo com seus pergaminhos e tinteiro e tinha como objetivo entrevistar todos os envolvidos na família Keylosh. Isso incluía Annabela.*
*Mas a própria Annabela não sabia disso, portanto, provavelmente recebeu com muita surpresa a notícia de que o repórter da cidade queria uma entrevista particular com ela. O pedido veio através de uma das mulheres que ajudava Annabela em suas tarefas diárias:*
- Minha querida, por que não me falou que estava se tornando famosa? Aquele rapaz escritor... Como é mesmo o nome dele? Ele veio falar comigo e com as outras amas enquanto descansávamos na cozinha lá embaixo. Ele deve ter descoberto que nós cuidamos de você, mas por que ele não veio falar-lhe diretamente? Deve ser tímido... De qualquer maneira, ele queria encontrar-lhe e faz questão que seja a sós! Eu espero que aquele jovem não tenha segundas intenções pecaminosas!



Annabela Bradbury
Os dias estavam sendo gentis com ela... Na verdade, desde que colocou os pés naquela cidade, Annabela sentia—se... bem. Quer dizer, na medida do "seu" possível, claro. Com a ajuda das senhoras, Anna conseguiu se adaptar, e após várias caminhadas matinais, já conseguia se deslocar sozinha pelo centro, além de ter se tornado um rosto familiar para os habitantes. Era sempre paciente e bondosa com todos, o que tornava difícil alguém não se simpatizar com a moça.

Como nenhum naturalismo sabia sobre sua real condição, Annabela, pela primeira vez, encontrava— se livre de julgamentos... Do ódio e da crueldade. Queria desfrutar dessa tenra paz... o quanto pudesse.

Enquanto os demônios se mantinham longe, mas ela sabia que eles sempre davam um jeito de encontrá—la.

Sempre, né?

Enfim...

No momento, ela estava em seu quarto, terminando de se arrumar para ir em busca de calor matinal. Usava um vestido azul claro, que realçava os olhos límpidos, e de alças finas e decote quadrado. As mulheres que lhe ajudavam insistiam para que ela pegasse um pouquinho de sol quando este não estivesse tão forte, alegando que Anna era muito pálida.

Com as pálpebras levemente cerradas, escutava o relato da senhora, mostrando—se surpresa ao franzir o cenho. Terminou de trançar o cabelo e logo um sorriso desenhava os lábios rosados.

— Não estou sabendo nada sobre isso, e não conheço esse repórter, Ava. E... Ahn, bem... Não consigo imaginar o que ele queira. Mas não se preocupe, sei me cuidar...

Podia até ser verdade, mas a aparência quebradiça de Anna afirmava o contrário. Estendeu as mãos, esperando que a mulher a segurasse. Apertou—as com delicadeza e cuidado.

— Não deve ser nada demais e não vou me negar a uma simples conversa... — ela deu de ombros — Admito que fiquei curiosa, e aposto que a senhora também — implicou com Ava, soltando uma risada doce em seguida — Pois bem... Diga a ele que não me oponho.

Ela levantou da cama, passando as palmas delicadas pela saia do vestido, terminando de se ajeitar. Era sempre muito simples, deixando claro que a aparência não estava no topo de sua lista de prioridades. Porém, o destino lhe foi generoso nesse aspecto...

Annabela era um colírio para qualquer um, seja homem ou mulher.

— Vamos...?

Narrador / Theo Lung
*A senhora Ava, velha devota da religião de Domine Mathesis e defensora incansável da moral e bons costumes, admitiu que também estava curiosa sobre o que o repórter queria com Annabela:*

- Bem, na verdade ele parece ser um rapaz decente... Todos falam bem dele na cidade. Mas você é uma moça muito bonita e não sabemos as intenções de gente de fora! Ninguém vai se aproveitar da minha doce Anna! - Concluiu Ava, abraçando Annabela como a uma filha. Se apenas ela soubesse que a moça já passou por coisas muito mais terríveis...

*Saíram para tomar sol naquela manhã e depois Ava enviou a resposta para o repórter. Caso Annabela estivesse de acordo, o rapaz estaria no aposento dela ao entardecer. Ava cruzou com ele na porta enquanto deixava o aposento e deixou uma indireta para o rapaz ao falar com Anna:*

- Anna, minha querida, se houver qualquer problema, grite! - Ao que o rapaz respondeu:

- Não se preocupe, minha senhora, eu apenas queria fazer algumas pergunt... - E Ava deixou o rapaz falando sozinho, descendo as escadas. O repórter adentrou o aposento e Annabela imediatamente sentiu o cheiro forte de tinta e pele de cordeiro curtida, usada na confecção de pergaminhos, misturados ao cheiro de couro velho da bolsa onde estavam estes objetos. O rapaz fazia muito barulho ao andar, dada a quantidade de coisas penduradas em seu traje, desde frascos de tinta a pacotes com penas de escrita. Ele logo se apresentou:

- Senhorita Annabela, muito prazer! Meu nome é Theodore Lung, mas pode me chamar de Theo! Sou o correspondente do Diário do Lago e gostaria apenas de fazer algumas perguntas! Peço perdão por não vir falar com a senhorita pessoalmente sobre a entrevista, mas sabe como é... Muitas pessoas odeiam escribas da minha profissão, então eu tinha que ter certeza que a senhorita aceitaria para não causar nenhum desconforto.

Annabela Bradbury
Quando a mulher admitiu a própria curiosidade, Annabela não conseguiu disfarçar um sorriso, chegando a balançar a cabeça de leve. De todas as mulheres que cuidavam dela, Ava era a mais carinhosa, embora as outras também fossem muito gentis. Anna correspondeu o abraço após as palavras protetoras, escondendo o rosto no ombro frágil da senhora. E por um momento, os olhos sempre tão calorosos ficaram... ‘fechados’, como se uma nuvem tivesse encoberto o sol. Mas apenas por poucos segundos, pois quando Ava afastou-se, a mocinha já sustentava um novo sorriso dócil.

- Ora, Ava, não exagere, sim? – Annabela fez um sinal com a mão, frisando o pedido para ela não se preocupar – Serão poucos minutos, e sei que estará por perto...

Na verdade, ela não estava temerosa por qualquer atitude indevida do repórter, e sim sobre o conteúdo de suas perguntas. Não era uma mentirosa... Mas não estava em seus planos revelar nada além do necessário para o tal rapaz. E Annabela acreditava que o seu ‘necessário’ e o dele certamente não eram similares. Pois bem... Ela não voltaria atrás agora.

A manhã transcorreu de forma serena, como na grande maioria das vezes. Anna sentia as bochechas quentes por causa do sol de mais cedo e estas estavam delicadamente avermelhadas, lhe dando um aspecto mais saudável. Já estava ciente que Theodore havia chegado e o aguardava em seu aposento, como combinado. Quando ele e Ava alcançaram o quarto, a encontrariam sentada na beirada da cama, com as mãos entrelaçadas sobre o colo e uma expressão calma, que tornou-se ainda mais simpática quando Anna sorriu. Ainda usava o vestido de mais cedo, mas o cabelo estava solto agora e penteado para trás.

- Obrigada, Ava.... – Anna disfarçou uma risada diante do comentário da mulher – Não fique aborrecido, por favor. Ela só está preocupada, e não a culpo. Não é por mal...

Sim, ela conseguia sentir os aromas, e de certa forma eram diferentes daqueles que estava habituada. E por causa dos ruídos, chegou a imaginar que estivesse na presença de um soldado exageradamente armado e não de um escriba. Bem... ele estava preparado.

- O prazer é meu, sr. Lung – ela se levantou e esticou uma das mãos, esperando ser a direção certa – Oh, claro que não me incomodo. Mas devo admitir que fiquei surpresa com seu interesse em me... entrevistar – franziu o cenho, estranhando a sonoridade da palavra – Não consigo pensar em nenhuma razão. Então, senh... Ah, Theo – corrigiu-se depressa, sorrindo – O que gostaria de saber? Aliás, aceita um pouco de chá? Ava acabou de deixar um fresquinho. Acredito que ainda esteja quente...

Era impossível não se sentir acolhido pela aura límpida e pura dela... quanto mais imaginar que aquela delicada garota carregasse um dom tão... maligno dentro de si.

Narrador / Theo Lung
*Annabela percebeu que Theo demorou alguns segundos para segurar a mão que ela esticou e beijar as costas da mesma em cumprimento. Ele provavelmente não estava acostumado a lidar com deficientes visuais. Em seguida respondeu, muito cordial:*

- Certamente, senhorita Annabela! Se não for incômodo, irei me servir de um pouco deste chá. - O rapaz tomou a liberdade de puxar para si uma mesinha de madeira de algum canto do recinto, onde pudesse apoiar a xícara de chá, juntamente com seus apetrechos, como os pergaminhos em branco e o tinteiro. Enquanto se ajeitava, ele complementou:

- Não se preocupe, sei que aquela senhora estava apenas lhe protegendo. Eu faria o mesmo. - Ele deu uma pequena risada e o som da pena roçando contra o pergaminho começou, enquanto ele se explicava:

- É justo que esteja se perguntando porque alguém como eu iria querer entrevistar alguém como você, senhorita Annabela. A missão do Diário do Lago é informar a todos os habitantes do continente sobre todos os eventos importantes, e a invasão de Domine Mathesis com certeza se qualifica. Sabemos que quem encabeçou a empreitada militar foi Lei Keylosh, um homem que, para dizer o mínimo, atrai seguidores e opositores na mesma proporção. - Theo fez uma pausa, tomando um gole do chá, e continuou:

- Sendo assim, é natural que busquemos conhecer todas as pessoas ao redor dele, incluindo sua família e amigos, como você. O próprio senhor Keylosh me contou que vocês já se conheciam no distante reino de Terânia e que, quando ele fugiu de lá, trouxe toda sua família e aliados consigo. Por que você veio para Mathesis apenas após a invasão da cidade, Annabela? Você permaneceu em Terânia?

Annabela Bradbury
Annabela não estava acostumada com aquele tipo de atitude tão cavalheira, pois sua intenção inicial era apenas um breve aperto de mãos. No entanto, sorriu diante da delicadeza. Ela apenas balançou a cabeça, indicando que não teria problema, e caso ele não tivesse se adiantado, Anna mesmo o serviria. Então, ela apenas aguardou com paciência o momento em que ele chegaria no ponto central de sua visita. Podia perceber pelos sons exatamente o que ele estava fazendo. O cheiro forte da tinta misturou-se com o aroma adocicado do chá e ela relaxou... um pouco.

Sorriu diante do comentário.

Afinal, aquilo também era uma novidade.

Tanta proteção...

Realmente não estava acostumada, já que antes, na pequena vila que morava, as pessoas mostravam desprezo e medo com sua presença.

Pequena amaldiçoada.

Acompanhada pelo demônio...

Annabela balançou a cabeça, afastando esses pensamentos ruins. Essa era uma parte da história que não chegaria aos ouvidos de Theo, e muito menos de qualquer malthesiano.

- De fato... – ela falou quando Lung começou.

Fechou os olhos, prestando atenção em cada palavra do homem. Até agora, nada de preocupante, o que mudou quando ele mencionou o nome do Comandante e também Terânia. E Anna logo compreendeu a intenção de Theo. Na verdade, ele desejava informações sobre Lei. Mas ela manteve a calma, a expressão serena. Não havia razão para ser hostil... e mesmo que existisse, dificilmente Annebela seria capaz de maltratar alguém.

Mas precisava tomar cuidado...

- Ele é um homem bom, e me ajudou muito quando precisei. Não posso falar por seus aliados e nem inimigos. Não sei sobre seu passado... Mas ele foi gentil comigo e me deu esperanças – ela balançou a cabeça, negando – Não, não permaneci em Terânia. Na verdade, fiquei tão pouco tempo que nem tive como conhecê-la direito. Após a fuga... voltei para casa.

Em nenhum momento ela mencionou a localidade exata da vila.

A última coisa que queria era alguém buscando informações complementares direto da fonte.

Narrador / Theo Lung
*A próxima pergunta de Theo era inevitável e Annabela sentia em sua voz que ele não tinha medo ou receio nenhum de perguntar qualquer coisa. Sua voz não perdia a cordialidade mas deixava claro que não pouparia perguntas. Anna ouvia a pena do rapaz trabalhar furiosamente sobre os pergaminhos.*

- Voltou para casa? Mas sua casa não era em Terânia? Então você tem um outro lar? - Ele ouviria com atenção a resposta e mesmo que fosse vaga, deixaria esse assunto de lado no momento. Emendou outra pergunta em seguida:

- Senhorita Annabela, todos sabem que o senhor Keylosh, intencionalmente ou não, sempre se cerca de seres formidáveis. Veja a esposa dele, Minami, que dizem que derrotou o próprio marido em combate mais de uma vez. Ou Sieg Hart, o antigo companheiro dele em Terânia, que tem poderes incríveis. Isso me leva a acreditar que o senhor Keylosh tenha visto algo em você, algo que, talvez, não seja evidente para o resto de nós. Devo perguntar-lhe, Annabela, você possui algum poder do qual não sabemos??

*Theo deu uma risada para descontrair, dando um tom humorístico à pergunta, mas a verdade é que se tratava de uma indagação seríssima, principalmente no caso de Annabela.*

Annabela Bradbury
Então, Annabela sentiu que tinha dito algo indevido... e encolheu-se diante das seguintes perguntas. Theo notaria certo atordoamento na garota e veria a oportunidade perfeita para enchê-la de perguntas. E foi exatamente o que ele fez, claro. Anna esticou as mãos para frente, como se pedisse calma para o repórter.

- Theo, por favor! Você está falando tão depressa e tantas coisas ao mesmo tempo... Está me deixando...

Mas ela não teve como concluir.

A conversa seguia por um caminho perigoso e a última pergunta...

Annabela arregalou os olhos e engoliu em seco. Certamente a atitude chamaria a atenção do escriba. As mãos se uniram com mais força sobre o colo, e ela estava ao ponto de começar a apertar os dedos pálidos e frios pelo súbito nervosismo. E agora? O que faria? Lógico que estava fora de cogitação revelar a verdade para aquele homem, mas... mas...

Ela abaixou a cabeça.

- Não tenho nada de incrível ou formidável, Sr. Lung. Sinto em lhe desapontar...

Não estava mentindo.

Ela não era especial.

Era uma azarada!

- Se quer mesmo uma resposta sobre o que o Lei viu em mim, acredito que deva perguntá-lo diretamente, porque... nem eu mesma sei – ela sorriu de canto, balançando a cabeça – Basta dar uma olhada, Theo.

Apesar do questionamento tê-la deixado visivelmente perturbada, Anna não mostrou pressa em afastá-lo, nem nada do tipo. Continuaria fornecendo informações até que o homem decidisse por terminar a entrevista.

E talvez saísse bastante decepcionado...

Narrador / Theo Lung
*A pena de Lung parou de trabalhar por alguns momentos, enquanto ele dizia:*

- Tem razão, senhorita Annabela, são muitas perguntas ao mesmo tempo! Prometo ir mais devagar.

*Theo voltou a anotar algumas coisas no pergaminho e sua promessa de "ir devagar" não durou muito tempo:*

- Senhorita Annabela, a cidade de Domine Mathesis sempre foi conhecida por sua religiosidade fervorosa e radical. Você se adaptou bem à mentalidade daqui? Tirando o que acabou de acontecer com a senhora que cuida de você... - Deu uma pequena risada e concluiu: - Já soube de algum caso de censura da expressão religiosa de algum cidadão por parte da nova administração da cidade?

Annabela Bradbury
Bem...

Parece que ele não estava satisfeito ainda.

Annabela optou por ficar com a cabeça levemente abaixada e os olhos fechados. E apesar da promessa, ela sabia que Theo não conseguiria cumpri—la. Anna não tinha contato com esse tipo de gente, mas acreditava nos rumores do quanto podiam ser insistentes quando era conveniente.

Nossa...

Começava a se sentir sem fôlego, pois prendia a respiração para disfarçar o nervosismo.

— Eu... não tive problema algum relacionado a religiosidade da cidade. Na verdade, desde que cheguei, as pessoas me tratam com muito cuidado e gentileza — a última pergunta a fez franzir o cenho, como se ela estivesse tentando se lembrar de algo — Oh, não... Isso ainda não aconteceu, e eu também não soube de nada... Desculpe, mas não ando muito atualizada.

Mordeu o lábio e procurou mudar de assunto, mesmo que não fosse sua função.

— Até então... a cidade tem me passado uma sensação muito forte de calmaria... e segurança — sorriu.

Narrador / Theo Lung
- Uhum... Certo.

*Murmurou Theo, que ficou em silêncio por alguns momentos depois que ela terminou de responder, apenas a pena dele escrevendo furiosamente sobre os pergaminhos. Ele terminou de escrever e sua atenção retornou a ela:*

- Excelente, senhorita Annabela! Uma última pergunta. A pergunta que todos os homens de Domine Mathesis se fizeram desde quando você chegou na cidade. A senhorita está solteira? Está em busca de um marido? Alguém em Domine Mathesis tem alguma chance??

Annabela Bradbury
Aquela pena trabalhava de maneira furiosa e o barulhinho discreto deixava Annabela um tanto agoniada, e imaginando qual seria a próxima pergunta. Ela implorava mentalmente para que não fosse algo relacionado com poderes, nem nada do tipo. Porque isso poderia significar uma desconfiança dele com qual ela não estava preparada para lidar.

Mas para sua surpresa...

Anna arregalou os olhos e uma camada rosada se espalhou pelas bochechas e nariz na mesma hora. Além disso, sentia o rosto pegar fogo.

— Eu... Eu... — talvez ela preferisse voltar ao assunto anterior — Eu mal conheço as pessoas daqui. Não sei o que dizer... Oh, por favor, não anote isso! Bem... — respirou fundo — Fico lisonjeada, claro... E acho que basta, sr. Lung...

Poderia ter soado ríspida, se não fosse uma cena engraçada ver o quanto ficara embaraçada com uma pergunta tão simples. E ele não teria resposta mais específica do que esta reação tímida.

Narrador / Theo Lung
*Theo não pareceu estranhar a forma como ela ficou acanhada com a pergunta, talvez porque tenha perguntado já esperando aquela reação. Após mais alguns murmúrios indecifráveis e concentrado no que escrevia, Theo finalmente deixou a pena de lado, dizendo:*

- Bem, acho que isso é o suficiente, senhorita Annabela! Muito obrigado por sua entrevista e desculpe o incômodo! A publicação sairá na semana que vem! - Ele se levantou, guardando suas coisas e colocando a mesinha de madeira de volta no lugar. Por fim, perguntou:*

- Deseja que eu chame aquela senhora aqui novamente assim que descer as escadas?

Annabela Bradbury
Mal acreditou quando ele finalizou a entrevista. E, céus, que não tivesse dito nenhuma besteira. Ela sorriu e balançou a cabeça, negando que tenha lhe incomodado. Levantou—se em sinal de educação.

— Imagina... Foi até divertido... — mas o sorriso trêmulo a contradizia — Obrigada. Mas não é necessário... E acredite, assim que for embora, ela correrá para cá, sem precisar de avisos ou convites.

Ela riu baixo. Não tinha dúvida quanto a isso.

— Espero ter suprido suas expectativas, Theo. Vou aguardar ansiosamente a publicação.

Narrador / Theo Lung
- Eu quem agradeço, senhorita Annabela. Assim que confeccionado, eu entregarei uma cópia para aquela senhora imediatamente, para que ela possa vir ler a publicação para você. Tenha uma ótima semana!

*Theo beijou as costas da mão de Annabela uma última vez e depois se retirou rapidamente. Conforme Anna havia previsto, lá estava a senhora Ava de volta ao quarto como um raio. A velha entrou e foi diretamente até a moça, perguntando se Theo havia abusado dela de alguma forma. A senhora estava pensando em abuso físico, mas, neste caso, foram as palavras que deixaram Annabela encabulada.*

*A forma como Theo conduziu as perguntas, sem se preocupar se Annabela iria gostar delas ou não, era quase... Frio. Será que aquele escriba seria um incômodo na cidade ao invés de um mero reprodutor de notícias? Conforme prometido, a publicação sairia na semana seguinte.*
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