Fereal: A nova base da Ordem dos Capelões (Descontinuado)

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Fereal: A nova base da Ordem dos Capelões (Descontinuado)

Mensagem por Admin em Ter Dez 02, 2014 11:42 am

[Resumo: Katherina agora reside em Fereal, a cidade que se tornou a nova base dos Capelões. São visitados por cavaleiros sobreviventes da batalha de Domine Mathesis, pertencentes à Ordem de Nosso Senhor, e acolhidos por Katherina.]




Narrador
*O agora ex-soldado Wall nunca saiu do lado de Katherina. Depois que deixaram Terânia, o rapaz seguiu a moça até a reclusa vila que servia de abrigo para o conselho da Ordem Capelã. Sem vínculos com o Império Teraniano, o rapaz agora podia se comprometer completamente com os votos da Ordem. Ele pediu para que Kath o treinasse nas artes capelãs e ele o fez por meses, com muita dedicação. Não demorou muito até que estivesse ajudando os habitantes da vila e cumprindo missões da Ordem, caso fosse requisitado. Agora, além de um casal, eram irmãos de Ordem.*
*Neste meio tempo, Wall insistiria para que Kath o ajudasse a ter alguma notícia de Lei Keylosh e família. Haviam perdido contato completamente com eles depois do ocorrido em Terânia, pois nem ele e nem Kath possuíam um cristal psiônico. Por não conhecerem aquela região - Wall nasceu e cresceu em Warjillis - as buscas ficavam mais difícil. Lei poderia estar literalmente em qualquer lugar daquelas comarcas.*
*Isto mudaria um dia, porém. A vila receberia a visita de um grupo distinto de cavaleiros. Trajavam armaduras grandes e reluzentes, adornadas pelo símbolo de uma cruz. Alguns estavam muito feridos e alguns de seus cavalos quase desfalecendo pelo cansaço.*

Katherina
A cidade em que os capelões agora ficavam, era na verdade construida ao redor de um pequeno castelo Feudal. Quando os capelões primeiro chegaram naquelas comarcas, Katherine, Wall e mais alguns soldados que os acompanharam durante a empreitada, peste e praga se espalhava pelas terras, e o senhor Feudal, um homem cujo nome foi esquecido, tratava sues habitantes como nada mais que lixo na sola do pé. Como a densa floresta isolava o Feudo do resto do mundo, e todas as carroças e cavalos estavam sob controle do "castelo", era difícil que alguém saísse e sobrevivesse muito tempo na estrada perigosa que cortava a floresta. A praga e maldição que o homem carregava, por ter roubado uma jóia rara de um sepulcro localizado na floresta, causou danos que eram tidos como irreversíveis pela população, que via até a floresta começar a morrer. Se não fosse pelos capelões, claro, com sua chegada, eles purificaram a terra e livraram o pequeno feudo da maldição. Infelizmente, muitos haviam morrido já. Um dos poucos sobreviventes era Monique, herdeira de uma pequena fazenda que seus pais chamavam de Recanto dos Pôneis Saltitantes. Exatamente pelo fato de que os pais dela tinham uma criação pequena de pôneis, e eles foram os primeiros a morrer com a praga. Monique estava descançando depois de arar o campo, com uma enxada em mãos, quando viu o grupo distinto de cavaleiros que se aproximavam. -Oxe, i será qui são outros capelões? - Ela apertou os olhos para tentar ver o símbolo que eles carregavam na armadura, mas não reconheceu. Soltou um assobiu agudo e forte. Um garoto saiu da casa ao fundo, deveria ter seis anos de idade. -Pirralho, vá lá tocar o sino trêis veze, que nóis têmo visitante e não sabermos se são amigo ou não! Xispa daqui! - O moleque saiu correndo sem questionar. Do lado da casa da fazenda, havia uma torre de pedra, cujo único objetivo era guardar e proteger um sino de bronze antigo. O silêncio no castelo foi quebrado. Uma, duas, três badaladas distantes. Um intervalo de três segundos. E novamente, três badaladas. No instante que o som do sino chegou até a cidade, Katherina estava treinando com alguns soldados, e o exercício foi interrompido pelo alerta. Não demorou muito para os portões da pequena fortaleza se abrirem. Cerca de cinco cavalos sairam dela, em alta velocidade. Num deles, Katherina estava montada, e estava acompanhada dos soldados que já estavam treinando e estavam devidamente equipados. Um outro destacamento sairia em seguir, assim que os soldados terminassem de se arrumar. O pequeno grupo de batedores tinha a vantagem da velocidade, por não estarem trajando armaduras pesadas - com excessão de Katherina. Enquanto isso, Monique conseguia ver a distância os cavaleiros se aproximando. Conforme os minutos passavam, conseguia vir a expressão exausta de cada homem e cavalo daquele destacamento. Isso não a fez ficar menos desconfiada. Largou a enxada, e pegou uma foice de colheita. Quando os cavaleiros estavam a distância suficiente para ouvirem ela, ela estava pronta para qualquer combate. -Quê qui ocêis querem aqui, hômi?- Mascava um ramo de hortelâ, no canto da boca. Falava com um sotaque arrastado e puxado, quase esbravejando. - Si ocêis vinheram aqui pra módi nos robar, oceis fique sarbeno qui nóis num tem o qui ser robado di valor, i que nois varmo lutá até a morte vinhér!- Claramente, gramática não era seu forte. A distância, já era possível ouvir o trote dos cavalos que haviam partido do feudo.

Narrador
*Diferente de Monique, todos aqueles cavaleiros - só havia homens entre eles - falavam de maneira eloquente, mostrando que receberam boa educação. Todo o grupo, incluindo os cavalos, aguardaram fora dos limites da fazenda. Apenas um deles, o que tinha uma armadura mais rebuscada e mais insígnias, se aproximou de Monique. Ele tinha a lateral da armadura amassada, na altura das costelas, onde provavelmente recebera um golpe de martelo ou maça, e andava mancando. Ele começou a falar.*
Milady, viemos em paz! Eu sou o Senescal Aiden Christopher, da Ordem de Nosso Senhor. Somos os sobreviventes de uma batalha terrível em outra cidade e pedimos abrigo por pelo menos uma noite para recuperarmos nossas forças e conseguir retornar para nosso reduto. Por favor, milady, tenha clemência em seu coração.
*O homem não tinha muitas esperanças de que a moça tivesse entendido tudo o que ele dissera. Ao ver os cavalos se aproximando, o cavaleiro respirou aliviado. Com certeza devia haver alguém ali responsável pela cidade e que pudesse ajudá-lo melhor.*

Katherina
*Monique olhava desconfiada. As sobrancelhas apertadas, um sorriso nada amigável. Ver um lobo sorrindo talvez fosse uma visão mais confortante. Havia algo de feroz nos olhos da fazendeira. Se pudesse rosnar, talvez ela rosnasse. Manteve-se na estrada, bem ao lado da cerca que dividia a propriedade das pradarias e da floresta de onde os cavaleiros vieram. A foice, apesar de abaixada, ainda assim era uma arma a se temer, ainda mais nas mãos de alguém que trabalhava com aquilo todo o dia* -Das boas intenção, o inferno tá cheio de diabos, sinhô Sensesacal.. - Interrompeu a fala quando ouviu o trote dos cavalos próximos. Olhou cada detalhe da armadura, os golpes recebidos, o jeito com que mancava. Ainda, com receio. - Mai num sô eu que hai de jurga as boa intenssão o má di oceis... *Ela deu um passo pro lado, liberando a passagem para os cavalos que trotavam. O som distinto das cotas de malha e armaduras batendo contra a cela podia ser reconhecido pelo homem em qualquer lugar. Alívio ou talvez aflição, já que querendo ou não, os capelões estavam armados para a batalha. Katherine carregava a fiel espada que havia herdado de seu mentor, e trotava a frente, liderando o pequeno contigente. De todos lá, era a única pessoa que ostentava o símbolo da ordem num tablardo. O rosto escondido pelo elmo de combate, mas não havia dúvidas para o cavaleiro que ela era mulher, devido a baixa estatura e a constituição física bem menor que dos outros soldados. Ou isso, ou era um homem muito pequeno. Katherine puxou o arreio do cavalo, erguendo a mão esquerda com o punho fechado, num sinal para que seus companheiros esperassem alí. Diferente de Monique, ela não tinha aquele ar selvagem e sempre desconfiado. Esporeou um pouco o cavalo para que ele trotasse lentamente na direção do homem, mas parou, ao lado de Monique. Não precisou perguntar nada a fazendeira, ela já começou a desbocar no instante que a capelã parou ao lado dela.* -Sinhora, esse hômi diz que vem em paz, Sensesacal - deu uma engasgada ao reproduzir a palavra, pois não estava acostumada- Aidin, bão, esse hômi diz que vem em paz.- *Kath não tirou os olhos do homen, enquanto desmontou do cavalo. Olhou um pouco mais adiante, sem perdê-lo da visão, e contou quantas pessoas eram. * -Obrigada pelo aviso, Monique. Não creio que eles serão de algum mal.. Será que poderia oferecer um descanço para os cavalos destes homens em teus estábulos?- * Fez um gesto de mão, indicando para que os outros capelões desmontassem. Aproximou-se do cavaleiro, retirando o elmo e o colocando em baixo do braço esquerdo. Apoiou o punho fechado da mão direita no centro do peito, curvando-se ligeiramente para frente em cumprimento. Após voltar a uma postura ereta, falou em um tom suave* -Prazer, Senhor. Sou Katherine, lhes dou as boas vindas a Ordem dos Cavaleiros Capelões de Fereal, nome de nossa humilde fortaleza. Vejo que claramente têns necessidade de abrigo e ajuda, e será um prazer para nós oferecer-lhes todo o suporte necessário. Permita que Monique escolte tuas montarias para os estábulos desta fazenda, não creio que eles irão resistir um trote até a fortaleza.- *Ela esboçou um sorriso, enquanto aguardava a resposta do homem. Independente do que ele teria dito, fez um gesto para o soldado Wall, afinal provavelmente ele teria acompanhado a comitiva.* -Caro Wall, por favor, poderia fazer a gentileza de levar dois Capelões contigo e nossos cavalos até a comitiva deste senhor, e fornecer montaria para os feridos?- * Monique estava do lado da capelã, e ainda olhava desconfiada para o Senescal. Aguardava uma última palavra dela, para então guiar os cavalos até os estábulos. Tinha deixado a foice apoiada na cerca da propriedade, ainda assim, próxima de sí.*

Narrador
*O cavaleiro permaneceu em silêncio durante toda a conversa entre Monique e Katherina. Em sinal de respeito quando Kath o cumprimentou, ele também retirou o próprio elmo, que saiu com certa dificuldade pelo estado em que se encontrava a armadura. Tinha o cabelo castanho bem aparado e constituição robusta. Ele repetiu o cumprimento, por achar que Kath estava longe para ter ouvido na primeira vez.*
Muito prazer, senhorita Katherina. Eu sou o Senescal Aiden Christopher. Eu e meus irmãos agradecem tua benevolência. Que o Senhor observe tua atitude e abençoe você, Monique e a todos de sua cidade. *Dito isto, o homem fez um sinal a seus companheiros, que se aproximaram. Wall fez um afirmativo e cumpriu a ordem, oferecendo montaria aos feridos, enquanto os animais eram levados aos cuidados de Monique. Aiden seguiria Katherina para dentro da cidade, montado ou não, e diria no caminho.*
O Senhor a colocou em nosso caminho, senhorita Katherina. Ele cuida de nós quando lutamos bravamente para fazer Sua vontade. Viemos de um lugar corrompido, uma cidade que foi invadida pela profanação e perversidade. Infelizmente a batalha provou-se ser muito grande para nossa insignificante carne.

Katherina
*Assim que Kath fez um sinal de positivo para Monique, a jovem saiu de seu lugar e foi até os soldados, pegando os cavalos pelas rédeas. No meio tempo, os capelões tratariam de ajudar os feridos a montar. Os que tinham condições de ir andando, iriam ter que caminhar. Quando Monique passou por Kath, ela falou, baixo.* -Monique.. Peça a teu irmão que envie um sinal de que as tropas não serão necessárias, por favor.. - *Monique apenas acenou, positivamente. Passou pelo irmão, que espiava de longe o que conversavam e falou alguma coisa. O menino saiu correndo, entrou na casa e tocou o sino uma vez, fez uma pausa grande, e tocou novamente.* -Digo eu que é um prazer e uma honra poder ajudar a tí e a teus homens.. Mas antes, permita-me, sim..?- *A pergunta era mera retórica. Se aproximou de Aiden, tocando-lhe a armadura com gentileza. Uma luz tênue de cor prata emanou das mãos da jovem, e em ondas ela se espalhou pela armadura do soldado. O metal começou a estalar, desamassando e desentortando, até que voltou ao formato que deveria ter antes do combate. Ainda estava com aparência fosca e desgastada, mas já não atrapalharia na movimentação. Diferente do usual, Katherine não esboçou uma palavra. A mão dela emitiu um outro brilho, branco, quente. A sensação passaria por todo o corpo dele, se espalhando pelo chão, e como se fosse também em ondas, atingiria todos ao redor, inclusive os soldados feridos. Como uma magia de cura, as feridas mais graves foram fechadas, e a sensação de fadiga foi diminuindo aos poucos. A espada que carregava consigo pareceu responder a onda de energia, brilhando sutilmente.* -Agora, creio que a viagem será bem menos desconfortável. Iremos cuidar de suas feridas, e se não se importa, creio que seria de nosso interesse saber qual mazela afetou a ti e teus companheiros nesta cidade, talvez possamos ajudar em alguma coisa. - *Afastou a mão enquanto falava. Fez um meneio com a cabeça, e então se virou, andando em passos lentos o suficiente para ser acompanhada. Caso houvesse algum ferido que necessitasse de cuidados imediatos, ela solicitaria a um dos cavaleiros que trotasse com quem precisasse até a fortaleza. * -Somos humildes em nossas construções e hábitos, mas tentaremos fazer o possível para que se sintam à vontade.- *Pela formação dos Capelões, Katherine andaria à frente, provavelmente com Wall ao seu lado, e não se incomodaria se o Senescal a acompanhasse. Demorariam pelo menos 30 minutos para que chegassem na fortaleza naquele ritmo, já que não contavam com o trote rápido de cavalos leves.*

Narrador
*Aiden até mesmo respirava melhor, agora que a armadura não lhe pressionava as costelas, que também foram curadas. Todos os homens que receberam a cura pararam de andar por um instante, ajoelharam-se e fizeram o sinal da cruz à frente do peito e rosto. Em seguida entoaram uma oração sussurrada e só depois retomaram a caminhada. Aiden voltou a falar.*
O Senhor realmente age por meios estranhos. Tu carregas a graça Dele em teus dedos e somos honrados de tê-la recebido. Não se preocupe quanto à simplicidade de suas instalações, senhorita. Na humildade reside a verdadeira fé. *Assim que alcançaram a fortaleza, Aiden complementou.*
Meus irmãos precisarão de algum lugar, qualquer lugar, para retirar suas armaduras e renovar seus votos. Mas eu ainda ficarei vigilante, com a força renovada que a luz de teus dedos me proveu, e contarei meu relato. Apenas peço um pouco de água e um lugar para me sentar.

Katherina
*Todos aqueles gestos, eram bem estranhos para Katherina. Entendia que era a religão dos homens daquelas terras, mas a filosofa dos capelões se diferenciava em muitas formas. Tomou, porém, como elogio as palavras dele, respondendo com sinceridade*
-Agradeço muito a gentileza de tuas palavras, Senhor. Nossa filosofia difere um pouco da tua e do teus homens, mas vejo a honra em tuas palavras. Por favor, sou apenas uma mera mortal, e o que faço é apenas fruto de meu treinamento e minha força de vontade. Nós acreditamos que estamos aqui para curar o mundo, e mesmo sendo meros humanos falhos, temos uma capacidade imensa e inata dentro de nós para mudar as coisas.. Mudar o mundo. Acreditamos que para aquele ou aqueles que se encontram acima de nós, com respeito a todas as crenças e religiões, existem coisas mais importantes e urgentes a tratar. Aquilo que é fruto das mazelas da humanidade, há de ser combatido com a própria pureza que o ser humano pode carregar. Basta.. A fé na luz que há dentro de nós.-
*Filosovava enquanto andava em passos um pouco mais lentos, permitindo que os outros pudessem lhe acompanhar. Havia muito tempo para conversarem e divagarem até que chegassem na fortaleza. Era uma edificação de tamanho considerável, certamente. Os muros eram feitos de pedras irregulares, com cerca de quatro metros de altura, e as pedras tinham sido cuidadosamente colocadas e encaixadas quando foram cimentadas. Provavelmente, era trabalho deles e dos locais, e o foco não estava na beleza, e sim nas acomodações. Ela fez um sinal para os guardas, que abriram os grandes portões de ferro e madeira que protegiam a entrada do local. Havia um soldado esperando no lado esquerdo, dentro da fortaleza, devidamente armadurado e com um tablardo semelhante ao de Kath.*
-Devos, por favor.. Poderia fazer a gentileza de levar estes cavaleiros junto para o salão de celebrações e juntar alguns capelões para que possam auxiliar com os feridos e as armaduras? Precisaremos acomodá-los devidamente, deve haver algum quarto comunitário livre nos dormitíros. Ah! Peça também para as cozinheiras prepararem algo revigorante para esses homens, por favor. Talvez esquentar uma sopa e pão. Obrigada.-
*O rapaz bateu continência. Carregava uma lança. Kath olhou para os três soldados que acompanhavam tanto ela quanto Wall, e eles responderam com um meneio. Eles iriam ajudar os que ainda estavam feridos. Ao adentrar o pátio, havia uma grande área livre que servia de treino. Um castelo feudal no centro, o qual era composto de uma estrutura de pedras diferente da muralha e da maioria das edificações. Pedras polidas e um trabalho digno de alguém que gostava de ostentar mais do que tudo. Existia desde antes dos Capelões pisarem naquelas terras. A esquerda poderiam ver os estábulos e um ferreiro trabalhando ao lado, moldando e arrumando uma série de ferraduras. Mais distante, na lateral do castelo, havia uma grande edificação de pedra, rústica e ampla, com algumas janelas que pareciam dar para dormitórios. Eram três andares. Devos guiou os soldados em direção ao castelo. A porta principal estava aberta, e desbocava para um grande salão com escadas laterais, que se dividiam para o resto da estrutura, para os andares superiores. Ao fundo, havia um grande vitral em armação de metal. Nele, estava a cruz de malta símbolo dos capelões, emoldurada por uma parede de pedras rústicas. A frente, um tipo de altar decorado com algumas ervas e com um traje cerimonial dobrado. Parte da edificação tinha sido remodelada por dentro, era fácil perceber isso, pois o trabalho das pedras novas era bem mais rústico que das antigas.*
-Por favor, peço que me siga até a cozinha. Assim posso arranjar-te uma refeição e água fresca, e lá poderemos conversar. Ah sim, por favor, se eu estiver esquecendo de providenciar algo, me avise. Não estamos acostumados com visitas.- *Sorriu. Ela deu a volta pela lateral direita do castelo. Havia uma edificação anexada a lateral do castelo, onde ficava a cozinha. Tinha a aparência de ser uma das edificações mais antigas, de pedras polidas e bem alinhadas. Fumaça saia das chaminés. Enquato seguiam para o local, Aiden pode ver Devos saindo pela porta lateral do castelo, e seguindo para a cozinha. Não demorou muito para que ele voltasse, apesar da enorme armadura, era um jovem extremamente ágil. A fumaça que saia da chaminé se tornou mais espessa, indicando que estava em pleno funcionamento. A porta que eles usaram para entrar não dava para a cozinha, e sim para um salão grande de refeições. Ao fundo uma porta dava para a cozinha, que parecia bem movimentada. As mesas e os bancos de madeira eram rústicos e simples, os pratos eram de cerâmica local, assim como os talheres eram de confecção simples. Ela indicou o salão para que ele escolhesse um lugar em que se sentisse melhor, e assim que ele sentasse, uma servente da cozinha se aproximaria com uma bandeija. Haviam três pratos de sopa feita com legumes locais e alguns pequenos pedaços de carne branca, proveniente de peixes que foram pescados nas imediações. Três copos empilhados, uma moringa de água e alguns pedaços de pão numa cestiha. Serviu para cada um dos três que estavam lá, mas deixou os copos vazio e as moringas para que eles se servissem. Se retirou, pedindo licença, e Kath agradeceu o favor. A moça aparentava ter um certo respeito por Katherina, mas não a tratava com firoulas ou cerimônias. Quase todos alí tinham a mesma reação. Não era difícil perceber que ela era a líder daquele local, ou alguém de grande importância para a ordem.*

Narrador
*Os outros cavaleiros da comitiva seguiram Devos até o alojamento que Kath havia citado. Ali eles retiraram suas armaduras, fizeram diversas orações e pequenos ritos durante alguns minutos e só então aceitaram a sopa e pão que lhes foi oferecido.*
*Enquanto isso, o senescal Aiden acompanhava Kath e Wall através dos cômodos do extenso castelo. O homem parou em frente à cruz de malta, fez um gesto de sua cruz com a mão à frente do rosto e comentou.* A cruz, em todas as suas formas, tamanhos e cores, guia a todos para a luz. *Em seguida, seguiu Kath e Wall até o salão de refeições, escolhendo uma mesa aleatória.*
*Fez uma prece rápida antes de começar a comer. Sua fome e sede eram evidentes, mas ele tentava se conter para não parecer um animal enquanto saciava sua fome. Após alguns goles de água e alguns pedaços do peixe, ele respirou aliviado e começou a falar, sempre de maneira comedida.*
Que o Senhor lhe dê graça eterna pelo que fez por mim e meus homens, senhorita Katherina. Suponho que seja uma figura de líder aqui, e que os Capelões dediquem-se ao bem, assim como a Ordem de Nosso Senhor, à qual pertenço. Eu e meus irmãos de fé vagamos por dois dias inteiros até encontrar este lugar. Somos os únicos sobreviventes de um massacre ocorrido em uma cidade chamada Domine Mathesis. Ela foi invadida por forças do mal e, embora tenhamos planejado e organizado a defesa da cidade por semanas antes da invasão, as artimanhas de nosso adversário demoníaco se provaram muito mais poderosas e agressivas.


Última edição por Admin em Sex Mar 20, 2015 12:11 pm, editado 3 vez(es)
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Re: Fereal: A nova base da Ordem dos Capelões (Descontinuado)

Mensagem por Admin em Sab Dez 27, 2014 11:20 pm

Katherina
Kath não falou nada diante da afirmação do Senescal sobre a cruz, apenas meneou positivamente, e o guiou pelos salões. Os capelões chamados por Devos ajudariam os soldados com as armaduras pesadas. Sorjin, o ferreiro, estava presente checando as avarias e calculando quanto tempo demoraria para arrumar tudo. A capelã se juntou ao convidado na refeição, mantendo silêncio. Enquanto comiam, Sorjin pediu licença e entrou no hall do refeitório.. Era relativamente alto, cabelos longos, loiros e sujos de fuligem, e uma barba rala. As orelhas levemente protuberantes e o rosto mais afinado denunciavam sua origem mestiça élfica. A maioria dos capelões eram humanos, e em algumas raras exceções, mestiços, tais como o ferreiro.
-M'lady.. Peço desculpas por interromper vossa refeição. Peço que estes homens e seus soldados fiquem aqui por dois dias, tempo necessário para que possamos arrumar as armaduras e armas danificadas, e também, cuidar dos feridos mais graves. -
Era dono de uma voz macia, mas com um certo tom rouco. Não tinha um avental sujo como os ferreiros costumavam a ter, nem uma barriga protuberante, mas tinha um forte físico avantajado, ainda mais levando em conta sua herança mestiça. Kath não respondeu. Apenas sorriu, e olhou o Senescal, esperando uma resposta do homem. Indiferente do que ele dissesse, Sorjin se retiraria e começaria seus trabalhos nos reparos mais urgentes. Ela deixou que Aiden contasse toda a história, limpou os lábios e deu um suspiro.
-Bom, Sir. Aiden.. Sou, sim, fundadora dos capelões, mas acredito que seja apenas tida como uma figura de respeito. Todos aqui, de alguma forma, fomos unido pelo destino e seguimos então o mesmo caminho juntos. Eles são meus irmãos, acima de tudo. Somos como bons irmãos, uma família.. Claro, com a excessão dos casais. - Tentou descontrair um pouco. Mas não era lá muito boa nisso.. Esboçou um sorriso gentil, olhou furtivamente para Wall ao lado e prosseguiu - Em fim.. Primeiramente.. Como Sorjin vos disse, nós precisaremos de um tempo para poder deixá-los partir, seria minimamente imoral de nossa parte permitir que fossem embora sem devidos armamentos e assistência.. Peço que teus homens aproveitem a estadia. Se algum deles quiser, neste meio tempo, participar de nossas atividades diárias para manter nossa morada, serão mais do que bem-vindos, mas acima de tudo, são nossos convidados. -
Fez uma pausa, pensativa. Arqueou uma sobrancelha, lembrando-se de outra coisa, e depois de um tempo ponderando, voltou a falar.
-Acho que.. Deveríamos levar um destacamento enquanto seus homens descansam aqui.. Creio que eu, mais 20 de nossos companheiros.. E claro, se Wall quiser se juntar a comitiva.. Creio que Dianne, irá querer nos acompanhar..-divagou por um instante, antes de voltar a falar- Ah a propósito.. Por acaso, cruzou teu caminho com um homem distinto, ou talvez ouviu falar, de Ley Keylosh?-
Katherine estava há muito tempo naquelas terras, e nunca ouviu histórias sobre o homem, e talvez, uma pessoa de tanta influência como o Senescal, tivesse cruzado por ele.
-Ele é um grande amigo nosso.. Viemos a estas terras atrás dele. Bom.. De qualquer forma, acho que nossa prioridade seria ajudar a proteger tua terra natal.. Aceitaria nossa oferta de ajuda?-

Narrador
*A reação de Aiden ao que foi dito foi deveras estranha. Sua expressão facial se alterou nitidamente quando avistou Sorjin. Havia agora um leve tom de desprezo em seus olhos e apenas referente ao mestiço. Aiden pigarreou, depois tomou um grande gole de água mesmo já tendo sanado sua sede e disse.* Senhorita Katherina, é claro que eu e meus irmãos aceitaremos a estadia. Seria rude de nossa parte recusar tamanha hospitalidade e imprudente em continuar nossa jornada sem força física e mental.
*Ele olhou de relance para Sorjin e depois para Kath, dizendo.* Porém, e não entenda mal o que vou lhe dizer, nossas armaduras são peças sagradas, abençoadas através daqueles que carregam a palavra do Senhor. Não permitimos que nenhuma pessoa de outra raça além de humanos que acreditam em um deus único toquem em nossas armaduras. Então, a menos que a cidade tenha outro ferreiro humano que não seja politeísta, não se incomode com os reparos.
*Em seguida, ele respondeu sobre a ida à cidade.* Não duvido da sua capacidade e de seus homens, senhorita Katherina. Mas a força demoníaca que dominou a cidade não deve ser subestimada. Eles explodiram a ponte que atravessa o rio à frente da cidade e entraram através de um túnel subterrâneo, que também foi demolido em seguida. Eu e meus irmãos escapamos usando a correnteza do rio. Alguns se afogaram. Eu seria cauteloso em lidar com as forças presentes lá.
*Ele ia comer mais um pedaço de peixe, mas desistiu no meio do caminho, respondendo à última pergunta dela.* Não estou lembrado do nome Lei Keylosh. Minha ordem também é nova nestas comarcas. Fomos convocados através de um homem chamado Donovan, que era chefe da guarda da cidade. Eu sequer sei se ele ainda está vivo.
*Ele fez uma pausa, buscando o ocorrido na memória.* Tudo o que me lembro eram dos soldados invasores, que trajavam uniformes azuis com um brasão que não reconheci. Havia um homem loiro de cabelo e barba grandes que bradava ordens e manejava uma foice. Também havia dois orientais. O homem possuía uma daquelas espadas com o corte apenas na curvatura externa e era muito ágil. A mulher, ou eu poderia dizer, a garota... Era jovem e tinha os olhos azuis apesar dos traços orientais, algo que eu nunca havia visto em minha vida. Mas o mais impressionante era sua habilidade de se transformar em uma fera monstruosa, que dilacerou as entranhas de vários de meus irmãos e de soldados Mathesianos.

Katherina
Ao contrário do que qualquer pessoa acharia, Sorjin não levou como uma ofensa pessoal. A verdade, é que o mestiço estava acostumado a ser tratado assim, mas estava obviamente desconfortável. Kath apenas meneou a cabeça. Ela entendia, sim, apesar de não aceitar aquela segregação, e deu um suspiro. Meneou para que ele se retirasse, depois trataria com ele.
-Tens o direito a tuas crenças. Sorjin, no entando, é um ferreiro muito mais hábil, acima de qualquer diferença de raça que possua. Ele pode não ser um humano de sangue, mas seu coração e seu espírito são fortes. -
Katherina fez uma pausa, e soltou o cinto que segurava a espada. Empurrou a vasilha de comida para o lado, e apoiou a espada sobre a mesa. Puxou lentamente a espada da bainha, revelando a lâmina prateada.
-Esta é a lâmina do julgamento. Era de meu pai e mentor. Essa arma, dizia ele, foi carregada por um grande arcanjo uma vez. Ela é mais do que uma simples arma. E ela é quem julga aqueles que carregam nosso brasão no peito. Sorjin, assim como todos os que tem a honra de deter nossos conhecimentos, foram medidos por esta arma. Uma coisa.. Eu descobri recentemente. Veja..-
Ela dedilhou a lâmina da espada longa. Conforme passava o dedo, surgiam palavras na lâmina, carregando um brilho branco. Não eram palavras que Aiden podia ler, a não ser que ele mesmo conhecesse a língua dos anjos. Por um momento, a lâmina pulsou, parecendo viva. Quando Kath afastou a mão da espada, o brilho cessou, e ela voltou a aparência comum. Se Aiden tocasse a lâmina, ele seria capaz de sentir a energia sagrada fluindo, familiar a sensação trazida pelas magias curativas da capelã. Ela, enquanto estivesse aberta, julgaria a tendência do homem, a verdade em suas palavras, e mentalmente, ela daria seu julgamento para a líder dos capelões. Nunca se foi questionado na ordem.. Mas a lâmina falava com poucas pessoas da ordem, e Kath era uma dessas.
-Se mesmo assim, duvida da capacidade de Sorjin.. Não tenho direito de contar a história dele, mas devo dizer que ele é uma pessoa boa, e pura de coraÇão. Ele não tem culpa de sua origem, para ser julgado com tanto desprezo.. Mas... É uma escolha dos teus homens. Irei pedir a ele se algum dos aprendizes tenha conhecimento suficiente para arrumar tuas armaduras, mas não posso garantir nada...-
Manteve a espada aberta. Não falou, porém, sobre crenças. Na verdade, falou somente o que ele deveria saber sobre os capelões. Ouviu, então, com atenção o relato do cavaleiro. Então, cruzou olhares com Wall. Será que ele estava falando de Lei..? Ela arqueou a sobrancelha. Ela quase não conteve a agitação quando ele descreveu uma metamorfa.. Seria.. Hatsuko? Fez mensão para que o ex-soldado não falasse nada sobre. Algo estava.. Estranho.
-Wall, querido.. Acho que teremos que nos mover para esta cidade o mais urgente possível.. Por favor.. Poderia pegar Argos e Passo-Largo? E.. Fale com Dianne. Peça para ela vir até aqui, sim?-
Argos, era o cavalo de Katherina, o acompanhou desde que ela era pequena, cavalo de seu tutor. Passo-Largo era o segundo mais rápido dos cavalos, ambos eram treinados para guerra. Katherine agora se comunicava mentalmente com a espada a sua frente, esperando algum julgamento sobre Aiden, positivo ou não.

Narrador
*Aiden a fitou seriamente depois que ela mostrou a espada e contou sobre ela. Ele ficou surpreso com o brilho da lâmina, não reconhecendo a língua daquelas palavras. Respondeu em seguida.* Eu entendi sua intenção, senhorita Katherina. Você não confia em minhas palavras, ou em minha fé, ou ainda está tentando mudar minha opinião sobre seu ferreiro. Infelizmente, você não mudará minha fé ou minha opinião, mas posso encarar qualquer teste sobre minhas palavras, pois elas são sempre verdadeiras, pois carregam a vontade do Senhor.
*Dito isto, ele tocou a lâmina da espada até que Kath dissesse que era o suficiente. A lâmina revelaria à sua dona que Aiden estava sujo com o sangue de inocentes, mais precisamente, dos soldados que invadiram Domine Mathesis. Estes soldados acreditavam estarem fazendo o certo ao invadir a cidade, assim como Aiden acreditava que era certo matá-los para defender o lugar. Ele não estava mentindo de nenhuma outra forma e não havia nenhum feitiço sobre ele.* [ Aí eu não sei qual julgamento a espada faria. Ambos os lados acreditavam estarem fazendo o certo. A espada é capaz de dizer qual lado estava sendo enganado? ]
*Kath adivinhou a reação de Wall frente ao relato de Aiden antes mesmo de ela acontecer. Wall realmente ia dizer algo, mas viu o movimento de Kath e apenas respondeu.* Claro, Kath. Prepararei os cavalos e Dianne estará aqui em instantes. *Ele se levantou, tocando a mão de Kath em sinal de carinho mas fazendo uma expressão de "Cuidado com esse maluco." *

Katherina
-Ah... Perdão, senhor, mas não hei de ter direito de julgar ou mudar a mente de alguém. Apenas sugiro algo. Tenho eu direito nenhum a julgar palavras ou a fé alheia, pois cada um de nós tem o direito à própria verdade e liberdade. Eu sou nada para interferir no livre arbítrio concedido a cada um de nós, que vive por estas terras ou em qualquer outro lugar.. Longe de mim ser uma inquisidora.-
Ela falava, com sinceridade. Quando Aiden fez a mensão de tocar a lâmina, ela afastou a mão, dando licença para ele. Mas ela não pode evitar que a lâmina adiquirisse um brilho sombrio. ela apenas balançou a cabeça, lentamente. A espada julgava, dizia que não havia magia, que ele acreditava no que dizia e que trazia a bondade e justiça, mas o brilho sombrio emitia o aviso do sangue de inocentes derramado. Katherine nunca havia matado. Nem mesmo em Terânia, enfrentando o general que quase eliminou a cidade. Nem mesmo ao fugir da cidade. Certamente, Kath já deveria ter citado algo assim para Wall. E ele sabia que não necessariamente significava perigo. Se houvesse perigo.. Ela já teria tido uma terrível dor de cabeça. Mas a espada, dizia algo além. Ela precicsaria conhecer o outro lado, para ter certeza de qual estava enganado sobre o que, não deixava de carregar desconfiança sobre a verdade dele.. Mas não tinha o poder da onipresença e onipotência. -Muito obrigada, Wall.. - Sorriu, entendendo a mensagem. Mas, mesmo diante da reação da lâmina, Kath se manteve com a mesma expressão calma.
-Peço que não se preocupe com a reação dela.. Ela.. Reage ao passado daquele que a toca.. Essa cor, apenas indica que, por mais que você acredite que fez o bem, não deixa de ter tomando o sangue e vida de inocentes...- fez uma pausa, ponderando- Eu nunca mantei uma pessoa, Sir Aiden. Por isso, ela reage diferente ao meu toque. Acho que posso remediar a situação em tua cidade, sem que mais sangue seja derramado. Mas preciso me deslocar daqui antes que o sangue de mais inocentes acabem sendo tomados pelo caos e guerra.. -
Katherina parecia e estava entristecida com a idéia. Lentamente guardou a lâmina, e a colocou na cintura. Apoiou as mãos sobre a mesa, entrelaçando os dedos, e olhou o homem nos olhos.
-Porém, não sou uma criança, por mais que seja jovem. Já participei de inúmeras batalhas, mesmo que talvez o senhor não acredite em minhas palavras. -
Ela então fez silêncio. Sua calma era quase.. Palpável. Havia aprendido, com o tempo, a entender que o mundo era muito mais do que o que cada um queria acreditar dele...

Narrador
Inocentes, você diz?? *Respondeu Aiden, mostrando pela primeira vez sinais de instabilidade emocional.* Esta espada lhe disse que as pessoas que eu matei eram inocentes?? Senhorita Katherine, sugiro à sua espada que reveja seu conceito de certo e errado. Ou você considera certo invadir um lugar repleto de pessoas que seguem a palavra do Senhor, que reconhecem um deus único acima de qualquer uma destas religiões pagãs e promíscuas? Domine Mathesis era um exemplo a ser seguido de pessoas que respeitavam os dogmas, que serviam totalmente ao Senhor de corpo e alma.
*Aiden afastou o prato e o copo, apoiando os cotovelos sobre a mesa como ela, e continuou, ligeiramente fervoroso.* Sabe o que estes "inocentes" fizeram, senhorita Katherine?? Raptaram a figura religiosa principal da cidade e ele nunca mais foi visto! Agora pense no medo que a população sentiu. Pense nos homens e mulheres que não mais ouviram as palavras reconfortantes daquele homem de Deus! Pense nas barbáries que este homem de Deus sofreu nas mãos destes invasores, um homem que não fez nada além de espalhar a palavra sagrada!
*Ele parou por um instante, respirando fundo e respondeu ao outro assunto.* Eu apenas fiz o que era necessário, senhorita Katherine. Posso lhe assegurar que todas as almas das pessoas que eu matei estão agora queimando no inferno por seus pecados. Eu sou a espada flamejante do Senhor, é a minha tarefa livrar este mundo do mal. E, francamente, se a senhorita nunca tirou uma vida, então não tem o que é necessário para enfrentar aqueles demônios!

Katherina
Enquanto o homem esbravejava e soltava sua fúria, Katherine se mantinha imóvel, o observando. Nem seu tom de voz, nem sua postura se mudava. Ela apenas.. Ouvia. E entendia, então, o julgamento da arma. Ela deu um longo suspiro. E se levantou, calma.
-Com todo o respeito, Sir. Eu ouvi palavras semelhantes de um homen.. Que se julgava mais puro, aliás, que se julgava melhor e superior aos outros. Eu, Sir, sou ninguém para julgar os outros. Mas este homem.. Este homem matou a quem eu tinha como mentor e pai. Este homem, traiu a confiança de uma cidade que o tinha como salvador. Este mesmo homem, se julgava tão divino que acreditava que deveria envenenar e matar a todos na cidade, por que só ele era digno de viver. Eu vejo em tí, a mesma arrogância que vejo neste homem.-
E ela elevou o tom de voz, finalmente
-Não me diga que tenho ou não tenho o que é suficiente. Se não acredita nas minhas palavras, é teu direito. Porém, não tente me dizer o que é certo ou errado. Eu não sou o Criador para ter direito de dar ou tirar uma vida. É nisso que acredito. O senhor realmente acha que é uma fraqueza eu não ter matado uma pessoa antes, mesmo diante deste fato? Mesmo diante da verdade que eu sou, assim como tú és, mais uma de suas crianças, fruto de sua benevolência e criação? Eu existo, não para matar, não para destruir, e sim para defender, para curar, para proteger. É fácil matar. Não foi fácil para você matar cada um dos homens que passou pelo teu caminho? -
Havia uma certa ferocidade no olhar dela, um certo brilho. Ela acreditava naquilo, tanto que carregava um ar inspirador. Não era à toa que ela havia tomando aquele caminho e amadurecido tanto.
-Eu já vi muitos homens fazerem o que achavam necessário. Inclusive, matando. Nada justifica matar um ser vivo. Eu, diferente do senhor, não ergueria minha lâmina para matar qualquer um que invadisse esse lugar. Por que não é meu o direito de dar ou tirar vidas. Mas sim, eu morreria com orgulho, se minha morte salvasse cada uma dos viventes que caminham por estas terras. Mesmo que minha alma fosse queimar no inferno por ter causado minha própria morte.-
Carregou o tom de voz quando disse a última frase. Apenas esperou a reação dele. Havia algo nela, que ele não podia contestar. Talvez fosse a própria aura que ela emanasse, fruto não só da pureza que carregava no espírito, como do sangue que corria nas veias dela. Que ardia, com furor.

Narrador
*A princípio, Aiden se surpreendeu com a resolução daquela jovem. Era tão nova mas já carregava um caráter tão poderoso. Ele chegou a se inclinar para trás na cadeira. Por fim, ele também se levantou, fitando Kath incisivamente, e disse.*
Neste caso, senhorita Katherine, eu espero que esteja pronta para morrer, pois lhe asseguro que as pessoas que invadiram Mathesis não estão dispostas a fazer diplomacia. Mas, se precisa ver por si mesma, então vá até lá com sua comitiva, e que o Senhor a proteja, pois eu já tentei fazê-lo e não fui ouvido. Com sua licença, irei retirar esta armadura e refletir sobre tudo isto.
*Aiden iria se retirar da cozinha, mas se Kath quisesse que ele esperasse por Dianne, ele ficaria.*
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Mensagem por Admin em Sex Jan 16, 2015 3:52 pm

Katherina
Por um momento Kath manteve a postura agressiva, imponente, até que ele falasse, e até perceber que estava sendo hostil demais, ainda mais para uma anfitriã. Ela deu um suspiro, apoiando as mãos sobre a mesa. Ignorou qualquer resposta que lhe veio a mente sobre as últimas indagações do Senescal, e balançou a cabeça, lentamente.
-Peço desculpas, Sir, estou sendo um pouco rude demais para uma anfitriã.. Peço que apenas aguarde a chegada de Dianne. Ela pode falar por mim em minha ausência..-
O clima ainda estava um pouco pesado quando Dianne chegou. Ela era uma mulher de mais idade que Katherina, e pelas cicatrizes no rosto, havia passado por diversas batalhas. Era cega do olho direito, e era visível pela cicatriz tanto no rosto, quanto no próprio olho- uma ferida que ela ostentava com orgulho. Dianne trajava uma armadura pesada de combate, e raramente era vista sem ela. O olho bom era castanho, e a pele, bronzeada. Cabelos escuros, curtos, um pouco abaixo da orelha. A voz dela era grossa e rouca.
-Lady Katherina, a Senhorita me chamou?-
Fez um sinal de continência, batendo o punho direito no peito, com a mão fechada. Kath esboçou um sorriso.
-Obrigada por vir, Dianne.. Este é o líder de nossos visitantes, Sir Aiden. Peço que seja a anfitriã por mim, irei pessoalmente investigar os acontecimentos, pois a descrição de alguns dos envolvidos me são familiares.-
Ela se despediu de Dianne, retribuindo o gesto de continência, e se retirou. Os cavalos já estariam prontos, aguardando. Kath apenas esperou por um escudeiro, precisaria de ajuda para vestir a armadura antes de partir. Feito isso, tanto ela quanto Wall partiriam em viagem. Em trote acelerado e com as magias corretas, Katherina esperava demorar metade do tempo previsto para chegar ao seu destino.

Narrador
*Aiden ergueu as sobrancelhas assim que Katherine citou que a descrição dos invasores lhe era familiar. Eram antigos inimigos dela ou... amigos? Ele não comentou, apenas despedindo-se de Kath com um gesto. Depois cumprimentou Dianne com uma mesura e disse.*
É um prazer, milady. Se pudesse levar-me até meu aposento para que eu retire esta armadura, eu ficaria grato. *Supondo que Dianne atendesse ao pedido, não demoraria muito para que Aiden falasse algo no caminho.* Não lhe preocupa que sua superior está indo para uma possível zona de guerra sem, aparentemente, nenhum reforço?

Katherina
Logo Kath não seria mais vista na pequena cidade.
-Claro, siga-me.- Dianne não demonstrou surpresa, ou qualquer repreensão quanto ao pensamento dele. Ela simplesmente indicou para onde seguiriam, e o guiaria até o castelo principal. Na ala leste, onde ele ficaria, não seria incomodado. Passaram pelo salão principal antes de subir as escadas que davam para os quartos, foi quando ela finalmente respondeu o questionamento dele.
- Um destacamento grande poderia ser visto com hostilidade, e isso poderia gerar um combate desnecessário. Lady Katherina irá como uma representante pacifista, o que é de praxe. Somente ela e Sir. Wall conseguirão chegar lá muito mais rápido que um grande contingente, pois Argos e Passo-Largo são nossos cavalos mais rápidos e resistentes. Lady Katherina veio para estas comarcas de terras longínquas, juntamente com Wall, enfrentando adversidades e ainda assim, tendo tempo para ajudar aqueles que necessitavam. Confio plenamente na capacidade e no julgamento dela, no que diz respeito a ir a terras desconhecidas e enfrentar perigos iminentes.-
Dianne era séria. Não sorria, mal se expressava. Talvez, a vida tivesse sido bem dura com ela. Porém, falava de Katherina com um tom mais ameno, talvez certa admiração. Dianne era mais uma das pessoas que a Capelã havia encontrado no caminho.
Dianne guiou Aiden para o segundo andar. Havia um corredor extenso, e as primeiras portas das 5 daquele andar estavam abertas. Ela andou até a primeira porta, e esticou a mão, convidando-o para entrar. Era um quarto humilde, para o porte do castelo. Havia uma cama ao pé da janela, ao lado da cama uma divisória de madeira grande, mantendo uma banheira simples de metal escondida. Havia uma mesa com duas cadeiras, um tabuleiro de xadrez sobre a mesa, uma estante com alguns livros e uma escrivaninha, além de um armário para roupas. Os lençóis eram novos e limpos, o que indicava que havia sido preparado depois da chegada dele.
-Caso necessite de algo - Ela indicou uma corda, ao lado da porta, que provavelmente chamaria algum serviçal caso ele acionasse.-

Narrador
*Aiden replicou à Dianne depois da resposta dela.* Sim, posso ver como a admira. Desde o momento em que pisei aqui, percebi que Katherina é uma figura de líder. O Senhor protegerá os passos dela naquela cidade. *Depois que chegaram ao quarto, Aiden fez um gesto para Dianne, dizendo.*
Muito obrigado, milady. É muito mais do que eu teria o direito de pedir. Vamos torcer para ouvir notícias de Lady Katherina o mais rápido possível. Com sua licença. *E aguardaria Dianne fechar a porta do quarto para depois começar a retirar sua armadura. Ainda estava impressionado com a magia que Kath havia conjurado que consertou o metal instantaneamente.*
*Aiden ficaria no quarto por muitas horas. Dormiria a maior parte do tempo, pois estava exausto da viagem. Depois, se Dianne passasse naquele corredor - ou algum serviçal - ouviria sons estranhos vindos do quarto do senescal. Sons de violência, metal chocando-se contra pele violentamente e gemidos de dor.*
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