Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

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Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Qua Ago 31, 2016 3:15 am

[OFF: Tomei a liberdade de estabelecer algumas coisas para Firelands apenas para engatilhar este jogo, já que o fórum IK está parado. Mesmo que haja discrepâncias no futuro, não irá alterar o cenário em nada.]

A saída de Malak Nawar da regência de Firelands não agradou à toda a população das terras flamejantes. Uma parte da nação apoiava o novo regente, acreditando que o mesmo faria um governo melhor do que o de Malak. Acreditavam também que a guerreira não carregava, de fato, a Grande Chama conforme declarava. Esta parte da população sentiu-se traída, interpretando que Malak não era mais a "Escolhida" de Firelands. A outra parte, entretanto, permaneceu fiel à ela, entendendo que sua saída aconteceu por causa de uma jogada política do comando do Império como vingança pelo fato de Malak ter apoiado abertamente o autor do golpe de estado Lei Keylosh.

O que parecia ser apenas um conflito passageiro entre as duas parcelas da nação tornou-se uma guerra civil. As batalhas se tonaram massivas, com as duas partes se utilizando de magias de destruição em massa, varrendo vilas e cidades inteiras do mapa. O Império tentou intervir, o que apenas piorou a situação. A guerra já não tinha Malak como foco. Após meses de conflito, ninguém mais ligava para quem era o regente. Boatos vinham da capital de que o Império iria sitiar Firelands, aplicando uma barreira mágica ao redor de seu território e que só iria desfazê-la quando não houvesse mais nenhum Flamejante vivo.



Mesmo que usasse de diplomacia ou força, Malak não conseguiria acabar com o conflito. A guerra havia consumido Firelands e era apenas uma questão de tempo até que implodisse. Uma reunião emergencial foi convocada - depois de muitas reuniões, mas todos esperavam que esta fosse a última - com os melhores soldados de Malak e seu Mestre de Armas, Loremont. O encontro se deu nas ruínas do local que Malak usara como base nos últimos meses, a única construção parcialmente sólida em um raio de quilômetros. Enquanto bolas de fogo explodiam no território ao redor, um dos soldados iniciou seu relato sem rodeios:

- Regente Malak Nawar, a guerra já devastou quase tudo e logo engalfinhará a região onde estamos. Há cinco mil soldados fieis a você esperando nos campos ao nosso redor e mais cinco mil civis. Portadora da Grande Chama, nós a seguimos até aqui, lutamos pela senhora e muitos morreram pela senhora. Nós queremos apenas uma palavra de vossa senhoria, uma ordem, qualquer coisa. Guie-nos novamente, regente Nawar. - O soldado terminou de falar, fitando Malak com ansiedade. Todos os outros homens estavam abatidos, exauridos de tantos conflitos e tantas mortes. Ficava muito claro que estavam encurralados, segundo os mapas que seus conselheiros haviam feito. O exército de Malak estava pressionado contra a fronteira do país e não havia nenhuma outra força impedindo sua movimentação por ali. Se Malak e seus seguidores quisessem escapar de Firelands, aquele era o momento.

Loremont, naturalmente, estava presente na reunião e sabia de tudo aquilo. Como Mestre de Armas, os batedores do exército se reportavam a ele, bem como a confecção de mapas atualizados com as zonas de conflito. Se alguém poderia aconselhar Malak neste momento, com certeza era ele.


Última edição por Admin em Sab Ago 05, 2017 7:48 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Qua Ago 31, 2016 11:04 am

Malak ainda tentou mesmo retomar Firelands no início do conflito. Não demorou a desistir assim que percebeu que a origem de tudo aquilo podia ser uma retaliação por parte do Império. A situação local com a crescente guerra civil fez com que Malak se preocupasse legitimamente com seus apoiadores, militares ou civis. Já há algum tempo pensava em como poderia retirar todos daquelas terras e encontrar algum lugar seguro para retomar a vida dela própria e de todos os outros. Os boatos de que a nação seria sitiada reforçaram a postura da mulher e sua convicção de que não havia mais nada a se fazer por Firelands e pelos outros flamejantes que a rejeitavam como regente. Agora, o mais importante era sair dali viva e levar o máximo de aliados.

A própria regente estava cansada da situação e da tensão constante. Mesmo após o soldado terminar de falar, Malak permaneceu em silêncio por mais alguns instantes. Relembrava os mapas feitos e os relatos de seus principais soldados. As bolas de fogo não a assustavam a ponto de causar sobressaltos ou sustos, apenas a incomodavam devido à sua paciência cada vez menor, ao esgotamento físico e mental que sentia. Após um suspiro profundo e pesaroso, Malak cruzou os braços e se manifestou.

- Firelands já não existe mais. São apenas ruínas de um passado glorioso, devastadas pela guerra... Já não vejo mais o que poderíamos fazer aqui, não há como reconstruir nada ou impedir que a guerra consuma o pouco que ainda permanece de pé. Nós sairemos daqui. Estamos na fronteira e por enquanto ninguém tenta nos impedir de sair. Reúna os soldados e os civis, Loremont, nós partiremos tão rapidamente quanto possível.

O primeiro passo estava feito. Malak havia decidido que sairiam dali, que deixariam Firelands para trás. O único problema era que ela ainda não sabia para onde poderiam ir, onde poderiam se estabelecer. Centenas de possibilidades percorriam sua mente desde o momento em que, em uma das noites em claro, havia vislumbrado a chance de fuga. Talvez algum lugar abandonado, talvez algum lugar que possa ser conquistado. Talvez alguém poderia ajuda-los enquanto se estabeleciam em novas terras. Lei, talvez. Se tudo aquilo havia começado com o apoio de Firelands ao golpe tentado pelo barbudo, nada mais justo que recorrer a ele em busca de auxílio inicial.

- Loremont, discutiremos o destino assim que retirarmos todos da zona de guerra. Peça mapas das regiões próximas, de locais abandonados ou com as defesas que possam sucumbir a um ataque.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Loremont D'Allanur em Qua Ago 31, 2016 6:06 pm

Firelands já havia sido lavada pelo seu próprio sangue, e ainda que fossem opositores à regência de Malak, Loremont sentia o desconforto de ter que erguer sua lâmina contra aqueles que outrora defendia, com a divisão de forças do continente. Acreditava ser capaz de trazer uma solução mais diplomática ao embate, porém a proporção caótica se expandiu de maneira exponencial antes que seu poder ou influência pudessem entrar em campo, e por isso, de certa forma, se responsabilizava. Zelava pela ordem, mesmo naquele ambiente tão conturbado, que agora tentava arranca-lo das próprias reflexões ao explodir das bolas de fogo no exterior, mas foram as palavras do soldado que lhe trouxeram  de volta a si. Era nítida a exaustão dos seus homens, e sabia que a única coisa que os mantinha de pé naquele momento era a lealdade pela sua regente, portanto aqueles eram soldados que precisavam ser preservados e reconhecidos nessa hora. Ainda que seu próprio desejo fosse de lutar até exaurir todas as suas forças, não podia expôr ninguém à derrota inevitável. Eles lutariam se fosse ordenado, mas certamente não viveriam para contar seus feitos de lealdade aos seus filhos no futuro. Mesmo que a própria regente decidisse por um ato impulsivo, tentaria intervir em virtude daqueles que ainda honram sua palavra em seu nome, mas após os tensos instantes de seu silêncio, pôde respirar fundo, pois embora o cansaço fosse nítido em seu semblante, sua resposta veio à companhia da sabedoria. Assim que lhe foi dada a palavra, respondeu em um tom de voz comum a quem costumava lhe ouvir, audível e de impactante confiança, ainda num momento como aquele. Precisava inspirar coragem em suas fileiras independente da situação.

- O que foi construído aqui pela nossa regente permanece em cada um de nós. Vocês carregam isso, e independente do futuro de Firelands, o ruir das estruturas ao nosso redor não levará embora a lealdade de cada um, nesse momento aonde as esperanças se afunilam. A terra sob nossos pés é o único que podem nos tomar, e sobreviveremos para lembrar disso no dia de amanhã. Continuar lutando aqui seria empunhar um orgulho vendado, e suas vidas estão muito acima disso.

Consentiu firmemente com a cabeça à orientação de Malak, e ao mesmo soldado que havia dado seus relatos, dirigiu suas ordens.

- Preciso das atualizações dos mapas das zonas de combate em nossas margens, traçaremos uma rota a partir dos locais menos contestados. Ainda temos forças capazes de ocupar alguma área desprotegida, mas calcularemos nossos passos com cautela. A partir de agora, estamos lidando com o objetivo de escapar deste lugar e proteger todos aqueles que nos acompanham. A luta pela defesa de Firelands não cabe mais a nós.

Tão logo terminou suas palavras, direcionou o olhar à regente. Loremont sabia que não seria tão fácil realizar uma expedição de fuga com 10 mil sobreviventes, sendo metade deles civis, mas estava disposto a sacrificar a si mesmo entre eles se fosse necessário.

- Regente. Reunirei alguns batedores para fazer um último reconhecimento do nosso território em busca de todo refugiado possível, além de espalharmos as suas orientações sobre a nossa retirada. A partir de agora, temos que começar a providenciar o racionamento e preparo de transporte para mantimentos e todos aqueles que tiverem dificuldades em se deslocar. Está de acordo?

Era eloquente e objetivo. Buscava pelo seu consentimento direto, ao mesmo tempo em que tentava perceber em seu semblante algum traço de sua estabilidade. Além de todas aquelas últimas dez mil vidas, não deixaria de tomar cuidado de Malak também.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Qua Ago 31, 2016 9:57 pm

Malak ouviu a opinião e ordens de Loremont e concordou em silêncio. Não havia nada a acrescentar, pelo menos naquele momento. Restaria a ela o amargo sabor da derrota e a vergonha da fuga, mesmo ciente de que era a decisão mais sensata e segura para todos os seus seguidores. Sentia que tinha um dever com todos esses soldados e civis que se arriscaram para permanecer ao seu lado mesmo quando o mais fácil era escolher o lado oposto.

A expressão da regente estava carregada de cansaço, frustração e até mesmo um pouco de receio, embora estivesse convicta de que aquela era a melhor decisão. Mais uma vez concordava com o Mestre de Armas, assentindo antes de falar.

- Sim. Providencie tudo, Loremont. Consiga também algum mapa das regiões próximas a Firelands. Precisamos ter um destino em mente... Tome todas as decisões necessárias para partirmos tão logo quanto possível. Não precisa se reportar a mim para as decisões menores, deixo-as em suas mãos. – ergueu o olhar para os outros presentes – Estão todos dispensados.

Malak permaneceria em seu abrigo, remoendo pensamentos e lembranças, tentando encontrar um caminho e um destino.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Qui Set 01, 2016 4:58 pm

[OFF: Perdoem o post longo, dei uma adiantada nos acontecimentos.]

As palavras de Malak e Loremont aos seus homens foram importantes de duas formas diferentes. As de Malak foram honestamente brutais, apresentando a verdade aos seus seguidores que sabiam que, no fundo, ela estava certa. Firelands, como uma grande nação do Império, estava acabada. Permanecer ali levaria apenas à morte certa. Loremont, por outro lado, invocou a honra e compromisso daqueles homens e fez lembrar do motivo de terem se dedicado tanto à Malak. Firelands continuaria existindo no coração de cada um dos flamejantes, mesmo que o território da nação não existisse mais. Isto injetaria um novo ânimo nos guerreiros. As falas de Malak e Loremont seriam retransmitidas ao resto dos soldados e civis, evitando o abatimento da multidão.

Os batedores enviados por Loremont confirmariam as informações anteriores e trariam uma nova notícia ruim: Uma horda destrutiva se aproximava deles. Era uma facção de flamejantes disposta a acabar de vez com Firelands. Tinham pelo menos dez combatentes para cada soldado de Malak, além das feras gargantuais, das criaturas aladas e das magias de destruição em massa. A horda atropelaria o exército de Malak sem piedade caso não se mexessem. Além disso, seria informado à Loremont que os suprimentos durariam apenas por quarenta e cinco dias de viagem, já contando com eventuais paradas. Depois disso, precisariam extrair novos recursos da natureza por onde passassem para garantir a continuidade da jornada.

Os batedores além da fronteira de Firelands, entretanto, trariam uma boa notícia: Não havia nenhuma força de batalha para além do território, tanto de facções flamejantes quanto do Império. O caminho estava livre para a fuga, desde que partissem imediatamente.

[OFF: Vou dar uma acelerada na viagem, já que ela não é o foco da partida. Mas vocês podem declarar uma ou outra decisão que foram tomadas ao longo da jornada.]

A caravana de dez mil pessoas partiu então. Os soldados e civis no final da grande fila puderam ver, ao longe, a destruição dos últimos quilômetros de Firelands no limite da fronteira. Por sorte, aquelas forças destrutivas não decidiram caçar os refugiados por outros territórios. Ao longo do caminho, os conselheiros apresentavam qualquer mapa que conseguiram da região à Loremont e Malak. Grande parte dos documentos oficiais havia sido destruída e mesmo os mapas recuperados não eram muito precisos. Com a ajuda dos batedores, que informavam locais seguros para atravessar e acampar, a caravana continuava.



Isto não os salvaria dos obstáculos, entretanto. Muitos membros da caravana foram mortos por, sem ordem específica: Frio extremo, doenças contraídas e a falta de ervas e recursos suficientes para tratá-las, mortes por armadilhas geológicas (Pessoas que caíram de penhascos ou atravessando pontes, areia movediça, que morreram afogadas atravessando rios e lagos muito profundos, que morreram consumindo frutas e plantas venenosas) e outras que foram devoradas por animais selvagens. Uma parcela da multidão desbandou-se, mesmo com todas as palavras de incentivo vindas do comando, por não acreditarem que aquela viagem chegaria em um lugar seguro. Também houve mortes por brigas nos acampamentos por acusações de estupro por parte de algumas camponesas, roubo de objetos e adultério. Houve até uma tentativa de retirar Malak da liderança da caravana por parte de dez soldados. [OFF: Vocês podem descrever qual foi a punição deles em suas ações.]

O objetivo de Malak era chegar até Domine Mathesis onde hoje residia Lei Keylosh. Vários dos soldados já conheciam Mathesis por ajudarem a invadi-la há anos atrás, quando Lei pediu ajuda para destituir os religiosos exploradores de antes. Mas uma coisa era viajar com duzentos homens que podiam ser divididos em pequenos grupos e levados pelas grandes feras aladas. Outra coisa era atravessar todo o território a pé. Eles não possuíam feras aladas, nem de transporte e nem de batalha, pois todas foram mortas ao longo dos meses de conflito. Entretanto, os batedores conseguiram estabelecer uma rota mostrada à Malak e Loremont em um mapa improvisado: [OFF: No mapa em jogo não está destacada nenhuma outra localidade além de Domine Mathesis. Ou seja, eles não sabem exatamente o que encontrariam no caminho.]



Já quando a viagem durava noventa dias, alcançaram uma região pantanosa. Segundo a contabilidade informada à Loremont, haviam perdido ao todo duas mil pessoas, entre militares e civis, pelos perigos enfrentados e as debandadas. Os suprimentos haviam acabado no quadragésimo quinta dia, o que significava que o grupo passou metade da viagem vivendo com o que conseguira angariar no caminho. A fome e a doença se espalhava pelo grupo. Atravessar aquele pântano era a rota mais rápida para Mathesis, mas tiveram que interromper a viagem porque havia perigo à frente.

Segundo os batedores, que quase não acreditaram no que viram, havia mortos andantes ao longo do pântano. Seres podres já em decomposição, alguns com braços e partes do tronco faltando-lhe, que não só caminhavam nas águas turvas como carregavam armas e conversavam entre si. Eram muito organizados, como se fossem comandados por algo ou alguém. Os soldados aguardavam instruções.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Sex Set 02, 2016 12:09 am

Com as informações recebidas por intermédio dos batedores e do próprio Mestre de Armas, Malak decidiu que partiriam antes do previsto mesmo que não estivesse tudo perfeitamente pronto como desejariam. Não seria prudente arriscar tantas outras vidas com a permanência em terras perigosas quando a expectativa a frente parecia mais promissora e, sobretudo, pacífica.

Durante a viagem, Malak não exigiu nenhum tratamento diferenciado: caminharia junto com todos, dividiria a mesma comida e o mesmo abrigo. Aquela não era uma situação em que mordomias eram concebíveis ou mesmo desejáveis, já que poderiam causar protestos e discordâncias. Havia, sim, o conhecimento de hierarquia que devia ser valorizado quando necessário, e atenuado em situações mais complicadas como a migração. Loremont era frequentemente consultado pela regente a respeito de dúvidas e estratégias diversas, não apenas militares. Tentava superar os problemas e obstáculos, além de se sentir responsável por cada vida perdida. Estava desgastada também pelo esforço e até mesmo pela fome, já que recursos para milhares de pessoas eram escassos e não significariam jamais o suficiente para saciar todos. A tentativa de retirada de poder foi punida com a execução pública de todos os dez soldados, deixando a critério de Loremont o método utilizado. Aqueles que escolhiam partir, entretanto, não eram impedidos.

No dia em que o mapa e a rota proposta foi apresentada, a portadora da chama sentiu pouco mais que um breve alívio: noventa dias e ainda não estavam na metade do caminho. Até mesmo ela perdia um pouco da fé de que a maioria dos aliados seria capaz de chegar a Domine Mathesis. A maioria talvez fugiria antes ou talvez até muitos morreriam durante o longo percurso que ainda restava. Passava noites em claro, imersa em pensamentos e possibilidades para caso tudo ruísse diante de seus olhos. Diante da escolha entre atravessar o pântano ou contorna-lo, Malak não teve dúvidas para decidir que a rota mais rápida era a ideal, a única possível no momento.

Entretanto, a notícia recebida quando estava descansando o corpo no acampamento próximo ao pântano despertou curiosidade e receio. Como poderiam enfrentar mortos andantes? Pior, como poderiam enfrentar qualquer inimigo com um exército enfraquecido pelo cansaço, fome e doença? Pior ainda se eram mortos-vivos? Em segredo, aterrorizava-lhe a possibilidade de perder o apoio e o confronto de quem a seguiu até ali. Após agradecer e dispensar os batedores, dizendo para que descansassem um pouco, Malak chamou Loremont.

- Loremont, preciso que vá verificar pessoalmente essa história. Preciso que me diga se temos qualquer chance de enfrentar esses mortos, se existe mesmo um líder. Não quero arriscar tudo em uma batalha sem chances de vitória. Dez se revoltaram, centenas fugiram... Não é preciso muito mais que uma decisão errada para que tudo desmorone. Confiaram em mim, não posso falhar.

O tom usado para aquela conversa era de cumplicidade e confiança. De fato, o mestre de armas era chamado com frequência para conversas ou simples companhia. Caberia a ele decidir se se aproximava mais de Malak ou se permanecia mais distante.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Loremont D'Allanur em Sab Set 03, 2016 4:05 pm

[OFF: Desculpem a extensão, tinha a viagem e os dois turnos para considerar.]

A partida de Firelands não abalou a determinação do cavaleiro, pois um novo propósito havia surgido e seu foco agora concentrava-se em escoltar a expedição em segurança, ainda que soubesse dos riscos em realizar uma grande travessia sem o devido preparo. Como maneira de melhor proteger os civis, organizou uma formação de quatro losangos, unidos entre si, formando um único que deslocava-se simultaneamente aonde as tropas formavam as margens e a população restante era dividida igualmente ao núcleo de cada um. Desde o momento de partida, Loremont racionou pela metade seus próprios suprimentos, dando prioridade a quem mais pudesse necessitar, e constantemente trilhava entre as fileiras para transmitir confiança e preservar o controle tanto quanto lhe fosse possível. Ainda com toda a sua vigilância, muitos se perderam, e no fundo sabia que isso aconteceria pois muitas pessoas eram fisicamente incapazes de concluir aquela viagem enquanto outros demonstraram se psicologicamente abalados o bastante para também encontrar o mesmo fim. O fato da rebelião lhe despertou atenção maior, mas seu conhecimento foi tardio, pois ficou sabendo somente ao retornar de um grupo de patrulha, o que significava que a decisão de Malak para eles já havia sido traçada. Desejava ter encontrado a possibilidade de conversar tanto com a sua regente quanto com os rebeldes, pois sabia das condições extremas que eram impostas aos componentes daquela caravana, aonde o despreparo e a exaustão absoluta os guiava sobre a estreita e trêmula ponte da paranoia, e muitos já desabavam por não encontrar apoio conforme trilhavam por terras e destino incertos. Talvez a tentativa de destituir Malak tenha sido um último lampejo daquelas almas em acreditar que podiam traçar um rumo final aos próprios atos, mas não levantaria divergências à sua regente, acatou o julgamento de execução e tomou para si a responsabilidade de aplica-lo, pois não queria aquele sangue nas mãos de qualquer outro membro da expedição. Novas conspirações poderiam se formar em nome da mão de um executor, e partindo da lâmina do Mestre de Armas seria mais seguro de que o seu posto garantisse o ponto final do julgamento. Todos foram decapitados e posteriormente enterrados pelo próprio cavaleiro. O chamado da regente veio em um dos raríssimos momentos em que se via o Mestre de Armas supostamente descansando, estava sob uma tenda improvisada, em uma plataforma rústica de madeira que montou com tábuas para cercar a si mesmo de todos os rascunhos de mapas e suas legendas, de modo a criar um único mais detalhado, a próprio punho. Tão logo possível, encaminhou-se à presença de Malak, e a notícia não pareceu surpreende-lo, mas sim submergi-lo em desconfiança e reflexão.

- Há duas alternativas para que os mortos vaguem pela terra. Almas condenadas que buscam pela redenção e chance de descanso, vagando até que alguém seja capaz de selar seu propósito, ou então necromancia. Cadáveres pútridos não se organizam em exércitos ou montam formações entre si.

Caminhava de um lado a outro conforme dialogava, e respirou fundo antes de dar continuidade, sua visão era mais cautelosa do que de costume, pois assim como sua regente, tinha o peso de muitas outras vidas em estado crítico para zelar.

- Vou reunir dez dos meus melhores cavaleiros, não mais do que isso, e verificar pessoalmente. Mas serei objetivo, esse terreno não é apropriado para uma tropa armadurada lutar, muitos de nossos homens não tem experiência para combater os mortos, tanto eles quanto os civis podem entrar em panico e debandar. Pântanos abrigam feras e outros perigos, temo que o nosso caminho mais curto seja, ao mesmo tempo, o mesmo que vá exterminar o nosso contingente. Eu, você, algum outro membro de nossas forças de posto maior podemos até sobreviver, lutar ou fugir em caso de perda de controle, mas há pessoas lá prontas para enlouquecer ao menor descuido. Eu e mais dez homens poderíamos afunilar a saída do pântano e combater esses mortos, mas novamente repito, não sei quanto tempo temos ou qual é a força que os ergue, talvez não seja a melhor escolha. Se pudermos calcular quanto tempo a nossa viagem aumentará fazendo o contorno do pântano, é possível que surja uma opção mais viável, mas de qualquer forma irei até lá descobrir o aspecto desses mortos e se possuem um comandante.

Ironicamente, durante aquela expedição era aonde surgiam os maiores momentos de contato entre Loremont e Malak. Achava fundamental conversar e entender todas as suas decisões, ainda que divergissem, mas tentava manter a união acima de tudo e isso fazia com que sua proximidade fosse fortalecida. Embora fosse mais reservado, era nessas conversas mais particulares com ela que o Mestre de Armas confidenciava suas preocupações e se permitia ver entre as frestas da armadura e do escudo de virtude que era para os seus homens. Embora parecesse abatido pelo desgaste, não demonstrava a menor indisposição, e ainda em sua presença solicitou ao guarda próximo que convocasse os dez nomes citados, membros de uma tropa treinada pelo próprio Loremont, uma espécie de ordem de elite que ele ainda formava e foi interrompida pelo percurso de caos em Firelands. Estava à disposição de Malak e sua partida seria imediata, restando apenas a chegada de sua equipe.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Sab Set 03, 2016 9:11 pm

A caravana montaria acampamento nos arredores do pântano, de forma que a presença dos refugiados ainda não havia sido notada pelos mortos-vivos ou qualquer outra ameaça ali. Isso daria tempo à Malak e Loremont de conversar e montar um plano de ação. A estratégia do Mestre de Armas fazia sentido. Era melhor arriscar dar a volta no pântano e enfrentar apenas a fome e o terreno do que se jogar contra os perigos de forma imprudente. Loremont e seus dez soldados de elite partiriam para sondar a área e avaliar suas opções.

[OFF: Aqui vou dividir em duas cenas.]


Loremont

Um grupo pequeno de onze homens como o de Loremont conseguiria se movimentar de forma rápida e furtiva no terreno lodoso e irregular do pântano. Patrulhas de no máximo cinco mortos-vivos passavam por ali em intervalos regulares, mas a névoa e a escuridão da região que pareciam sobrenaturais, pois perduravam mesmo durante o dia, forneciam a cobertura ideal para Loremont e seus soldados. Circundando o território do pântano, o solo alagado dava lugar à terra firme com grama e, seguindo o rio largo que saía dali, encontrariam a junção do início de duas cadeias de montanhas.



A montanha ao leste era protegida por criaturas bem semelhantes às vistas no pântano, mas eram mais deformadas: Algumas possuíam quatro braços, outras eram de puro esqueleto e outras ainda se pareciam com gárgulas. Eram acompanhadas por grandes macacos de pelagem branca que pareciam seguir as ordens das criaturas podres. A temperatura ali caía bastante, evidenciando que as montanhas por aquele caminho deviam ser bem frias. A julgar pelo equipamento e pela forma como patrulhavam, os mortos-vivos daquele caminho não trabalhavam juntos com os do pântano.

A montanha ao norte mostrava um cenário bem diferente. A guarda era composta por humanos trajando armaduras decoradas com um tema dracônico, acompanhados por pequenas criaturas que se assemelhavam à halflings ou gnomos. A temperatura ali era mais alta, mostrando que o clima naquela montanha devia ser mais quente.

[OFF: A Montanha de Fogo fazia parte do cenário, inclusive era a ideia original para abrigar Malak. Mas então eu conheci o player que joga com o personagem regente e achei melhor tirar do fórum para evitar conflitos no futuro. Eu considero a existência do reino, mas evito interagir nele, portanto peço que ignore a Montanha de Fogo por enquanto.]

Loremont poderia presumir que os dois caminhos levavam à reinos diferentes, igualmente bem protegidos. O caminho do norte parecia menos hostil, mas não havia como ter certeza. A conclusão, entretanto, não era das melhores: Não havia como dar a volta ao redor do pântano diretamente para Domine Mathesis.


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Malak Nawar

Com a partida de Loremont, Malak era a única figura de autoridade ali. Até mesmo a hierarquia entre os soldados estava confusa, pois vários homens de várias patentes foram perdidos no caminho, e a execução dos dez traidores garantiu que nenhum deles ousasse passar por cima da autoridade do outro. Os refugiados levantaram acampamento ao redor do pântano e, como era de hábito nos últimos meses de viagem, os caçadores saíam para trazer comida, os herbalistas para conseguir ervas medicinais, os marceneiros para consertar as carroças, etc. Poderia-se dizer que oito mil pessoas formavam uma pequena cidade móvel e todos os problemas que uma comunidade normal possui eram agravados ali.

Não houve confusões naquele dia, porém. Todas as pessoas ali sabiam que estavam em uma situação precária e se não parassem de reclamar e trabalhassem, morreriam. Simples assim. Por isso seria com provável surpresa que Malak receberia a visita de uma garotinha em sua tenda. Não devia ter mais do que seis anos. Trajava um vestidinho vermelho muito sujo, quase tanto quanto ela mesma. Caso sua entrada fosse permitida, a garota diria, tímida:

- Malak... Hã, digo, Senhora Malak... Minha mãe disse que meu avô está quase morrendo. Ele é bem velhinho, não aguenta mais. Ele gosta muito da senhora, então eu pensei se a senhora poderia falar com ele antes que ele morresse. Você pode falar com ele? - Perguntou, fitando Malak nos olhos. A garota não estava chorando. Provavelmente já havia visto tantas coisas horríveis ao seu redor que criara uma resistência emocional. Mas seu pedido era sincero.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Sab Set 03, 2016 9:31 pm

Malak refletia sobre o conselho de Loremont, sobre dar a volta no pântano mesmo com toda a escassez de recurso e o aumento vertiginoso de doenças e fome no grupo. Temia ainda que aumentar o tempo de viagem poderia levar a mais revoltas e mais debandadas, embora existisse a mesma chance caso insistisse em enfrentar os mortos-vivos. Seu Mestre de Armas havia sido bastante eloquente, o suficiente para praticamente convencer a regente para que dessem a volta. Ainda assim, aguardaria seu retorno com as informações sobre o terreno, condições de travessia e luta e outros detalhes que o homem julgasse importantes, para poder dar seu veredicto final.

Durante parte do dia, Malak caminhou pelos arredores de sua tenda. Conversaria com um ou outro civil ou militar para saber como estava sendo a travessia e as dificuldades para, quem sabe, sana-las se estivesse ao seu alcance. Não permaneceria fora por muito tempo, resguardando-se de eventuais revoltas ou descontentamentos, além de estar também bastante cansada.

Estava sentada em um banco, olhando os mapas deixados para ela sobre a mesa. Tamanha era sua concentração que percebeu a presença da menina apenas ao ouvir sua voz. Não pareceu se importar com o tratamento informal e levantou-se para se aproximar da criança. Usava também um vestido, gasto pelo uso mas mais limpo que o da menina, assim como a própria Malak estava mais limpa.. Abaixou-se para ficar no nível dela e arqueou as sobrancelhas diante do pedido inédito, quase improvável.

- Seu avô está morrendo? Qual seu nome, criança? – levantou-se, estendendo a mão para ela – Responda enquanto me leva até onde seu avô está, sim?
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Sab Set 03, 2016 10:44 pm

[OFF: Complementando a ação do Loremont]

Ao retornar para informar à Malak sobre as descobertas na região, logo que adentraram a área do pântano, Loremont e seus homens viram um clarão vermelho no horizonte de névoa. Parecia muito com uma explosão de chamas, labaredas que subiam ao céu em intervalos regulares. Os clarões iluminavam aquela parte do pântano e, quando aconteciam, era possível ver uma concentração massiva de mortos-vivos, todos olhando para a mesma direção.

Caso Loremont e seu grupo quisessem vasculhar melhor, conseguiriam achar uma posição segura de onde poderiam observar sem ser observados. No centro da multidão havia uma estrutura de pedra assemelhando-se a um castelo, em uma área do pântano onde não havia árvores. Portanto, a visão era melhor. Ao redor desta estrutura estavam milhares de mortos-vivos, semelhantes aos avistados anteriormente, mas agora havia um novo elemento: Guerreiros humanos. A julgar por suas vestes e armas, deviam ser mercenários contratados ou atraídos até ali por algum motivo.

No topo da estrutura um homem berrava à plenos pulmões. Fazia um discurso macabro, citando uma tal de "Linda Morte", que supostamente era uma pessoa, e fazendo promessas de poder e vida eterna àqueles que o seguissem. Segurava uma espada grande e de minutos em minutos dava um golpe no ar, fazendo subir uma grande labareda. Loremont observou a armadura do homem e constatou o que parecia ser impossível: Aquele era um guerreiro de Firelands. Não havia nenhuma dúvida.


O homem no topo do castelo no pântano
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Sab Set 03, 2016 10:56 pm

Malak


A criança respondeu, já segurando na mão de Malak. Mesmo nunca tendo falado frente a frente com a regente, a criança não tinha nenhum medo:

- Meu nome é Adarah, senhora. Vem, vem rápido. Ele está bem fraco. - No caminho até onde a família da garota estava acampada, ela contou à Malak que seu avô decidiu consumir menos suprimentos durante a viagem, abrindo mão da própria vida para alimentar os mais novos. Aquela não era uma tática exclusiva à família da menina. Durante a viagem, muitos refugiados tomaram essa dura decisão. Não havia comida para todos e a decisão mais lógica era os mais velhos perecerem primeiro, para garantir um futuro aos mais novos.

Chegaram enfim ao local onde a família estava acampada, dentre outras centenas ao redor. A mãe da menina, ao vê-la se aproximando segurando a mão da regente, quase teve um ataque, evidenciando que a mãe não tinha ideia da atitude da garota. A mãe chegou toda desesperada, já tentando puxar a menina para si:

- Adarah! Pela Grande Chama! Regente Nawar, eu peço mil perdões! Eu disse para essa menina não causar problemas! Eu estava cuidando do meu pai e não a vi se afastar! Não acontecerá novamente!
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Sab Set 03, 2016 11:11 pm

- Adarah é um nome muito bonito. - comentou enquanto caminhavam. Sentiu-se mal com o relato da garota e também por todas as outras famílias que decidiram pela mesma tática. Parecia que havia condenado muitas pessoas à morte enquanto tentava livra-las da destruição. No fim, parecia que simplesmente não havia feito diferença alguma: muitos morreram, muitos fugiram e muito ainda morreriam. Malak quase todas as noites se questionava a respeito da decisão de deixar Firelands para trás. Buscou dispersar aquele pensamento ao menos naquele momento, quando chegaram à tenda da família de Adarah.

A regente sorriu e não soltou a mão da menina, por mais que a pobre mãe tentasse puxa-la.

- Acalme-se! Acalme-se, por favor!! Ela não me causou problema algum e também não precisa pedir perdão por coisa alguma. Adarah apenas me contou que seu pai está morrendo. Decidi agradece-lo pessoalmente pela lealdade e pelo sacrifício feito. Pode me levar até ele? Não a incomodarei com isso, senhora....?
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Sab Set 03, 2016 11:30 pm

Malak




A mãe de Adarah permaneceu perplexa por alguns segundos antes de responder à Malak. Sequer tentou pegar a menina de volta, fazendo um afirmativo com a cabeça:

- Hã... Najiri, regente. Meu nome é Najiri. Ele está aqui, venha. - A mulher então guiou Malak até a única tenda que aquela família havia levantado, já que eles possuíam apenas uma, que deixaram para o velho moribundo. O homem estava em uma cama improvisada, coberto com algumas peles. Sua compleição estava bem pálida e os olhos semicerrados, mostrando que já estava em suas últimas forças. Najiri entrou primeiro e falou a ele:

- Pai, a regente Nawar está aqui. Ela veio para falar com o senhor. - E, enquanto se afastava, Najiri informou à Malak: - O nome dele é Dakhir. - O velho sorriu, até onde sua condição permitia. A cama era bem baixa, de forma que o velho conseguiu ver Malak chegando com a garota. Assim que a regente se aproximou, ele comentou com a voz bem fraca:

- Foi a Adarah, não foi? Essa garotinha esperta... Eu havia comentado que queria falar com a senhora regente uma última vez antes de meu último suspiro. Ela deve ter ouvido.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Sab Set 03, 2016 11:48 pm

Teria sido melhor se Najiri tivesse conhecido Malak em sua melhor forma, não com aquela expressão cansada e magra. Estava longe de toda a glória e esplendor que lhe era comum em seu auge como regente. Seguiu a mãe de Adarah até a tenda e buscou manter uma expressão facial tranquila mesmo diante da situação precária da família e, sobretudo, do moribundo.

Aproximou-se até a cama improvisada e só então soltou a mão da menina, para poder abaixar-se e ficar mais no nível do velho. Agia daquela forma tanto para não força-lo a gastar as últimas forças quanto para ser capaz de ouvir o que ele falava em voz fraca e baixa.

- Dakhir, sua neta é mesmo muito amorosa e atenciosa... Mas me diga, o que queria falar comigo? Tem toda minha atenção.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Loremont D'Allanur em Dom Set 04, 2016 10:01 pm

Durante toda a missão de reconhecimento, Loremont e seus homens permaneceram divididos em dois grupos brevemente afastados, garantindo o elemento de surpresa caso um deles fosse descoberto pelas patrulhas. Permitia breves minutos de descanso a cada ponto estratégico atingido, para observar o panorama e colher o máximo de informações e posicionamento possível das tropas que guarneciam e patrulhavam os acessos às cadeias de montanhas.

O tempo de repouso resumia-se ao término das anotações e rascunhos do Mestre de Armas em seus pergaminhos, pois precisaria mapear tanto quanto fosse possível, caso desejasse ter segurança nos próximos passos da expedição. Malogrou seu desgosto em um prolongado suspiro ao perceber a impossibilidade de contorno do pântano, evitaria qualquer sinal de surpresa, por mais que aqueles homens ao seu lado já tivessem percebido que os planos seriam alterados e a rota mais segura já deixava de ser uma opção de seu comandante.

Estranhava o fato de tantas tropas mistas estarem relativamente tão próximas, defendendo seus pontos de interesse, porém os mortos vagando pelo pântano não pareciam pertencer às forças do leste. Seria inviável atravessar as cadeias montanhosas de maneira furtiva com tantas pessoas despreparadas, e se a única escolha fosse optar por um dos acessos às montanhas, teria que ser pelo norte, mas Malak precisaria ouvir e quem sabe reconhecer aqueles reinos para reforçar a segurança na decisão de Loremont.

Já durante o retorno, o clarão rubro rasgando a névoa lhes forçou uma nova espionagem. Ao posicionarem-se em segurança para observar, Loremont podia ouvir a voz da figura central que propagava seu discurso em ecos através do terreno lodoso, e lhe surpreendeu o fato de haver guerreiros humanos mesclados aos mortos. Como seus equipamentos diferiam das fileiras predominantes, chegava de fato à conclusão de que eram de forças distintas, e não haveria razão para estarem ali em tão largo número por mera recreação. Aos poucos conforme colhia esparsas palavras no ar entre os brados de tantos homens, franziu o cenho naquela que, curiosamente, parecia ter sido sua maior surpresa até então: Aquelas chamas, aquela armadura, os detalhes, a forja, eram características peculiares demais de um alto guerreiro de Firelands. Impossível que fosse mera coincidência, tendo em vista a maneira como ele também parecia ser capaz de manipular o fogo, mas sua expressão não alimentou esperanças. Ainda que pudesse ser um homem de Firelands, guiava os mortos entre si, e provavelmente balbuciava falsas premissas plenamente opostas aos preceitos das terras flamejantes. Jamais ofereceram poder ou vida eterna em suas fronteiras em troca de uma lealdade comercializada, e agora seu retorno seria imediato para se reportar.

De volta ao acampamento, dispensou seus homens e solicitou que aplicassem um discreto sobreaviso às tropas: Era preciso estar pronto para partir a qualquer instante, então as formações estabelecidas para viagem já deveriam começar a ser retomadas, sem alarmes. Ao guarda mais próximo, perguntou pela presença de Malak, e foi informado de que ela havia sido vista há algum tempo caminhando com uma jovem garotinha. Reservou uma breve pausa ao ouvir aquele relato, era bom saber que a regente ainda estava sendo vista e tendo contato com seu povo, principalmente em uma condição tão crítica como a que viviam e que daria rumo ao que restou da verdadeira Firelands.

- Certo. Apenas comunique que eu já retornei, mas não faça parecer emergencial. Tanto ela quanto as pessoas que estão aqui por ela precisam de momentos assim, para que a esperança continue de mãos dadas à lealdade.

Tocou amigavelmente o ombro daquele soldado, sem se preocupar com qualquer grau hierárquico que ele representasse.

- E obrigado, é preciso ter uma honra e compromisso enormes para permanecer de pé e leal em um momento aonde tudo se parece perdido. Você e todos os outros aqui presentes têm não só o meu reconhecimento, mas também o de nossa regente.

E com um discretíssimo sorriso, realizou um breve aceno com a cabeça e deu-lhe as costas, caminhando de volta para a tenda que improvisara antes do chamado de Malak. Retornaria aos seus mapas até que a regente voltasse e lhe solicitasse presença.


Última edição por Loremont D'Allanur em Dom Set 04, 2016 11:52 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Dom Set 04, 2016 10:32 pm

Malak


O velho respondeu abrindo ligeiramente os olhos e fortificando a própria voz, como se utilizasse suas últimas forças para falar o mais claramente possível:

- Senhora Regente Malak Nawar, portadora da Grande Chama... Apenas queria dizer à vossa senhoria, em meus últimos suspiros, para que não se deixe abater. Sair de Firelands foi a decisão certa. Todos nós teríamos morrido. E se as terras de Firelands, neste exato momento, não existem mais, isso significa que nós somos Firelands e ela andará conosco onde quer que estejamos. VOCÊ é Firelands, senhora Nawar. Sempre foi e sempre será. Eu me juntarei à Grande Chama agora com a sua benção, senhora, sabendo que minha filha e minha neta estão em boas mãos.

E parou de falar, voltando a ficar em um estado mais relaxado, aguardando a permissão de Malak para deixar aquele mundo. Neste momento o soldado de Loremont chegaria ao local com as notícias de que o Mestre de Armas estava de volta, mas ele esperaria o final do diálogo da regente.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Dom Set 04, 2016 11:00 pm

Malak manteve o cuidado de permanecer abaixada e próxima ao velho para que ele não precisasse se esforçar demais para transmitir sua mensagem. A regente de Firelands emocionou-se com aa palavras de Dahkir. Estendeu a mão e acariciou com cuidado o rosto cansado do homem, enquanto sorria e murmurava.

- Descanse, Dahkir. Descanse com a certeza de que eu darei a minha vida para que sua filha e sua neta tenham uma vida digna e segura. Obrigada por suas palavras e por sua confiança.

Não tinha muito jeito com palavras doces ou momentos emocionantes, mas havia feito seu melhor. Tanto tempo à frente de um reino, lidando com raros momentos de ternura ou carinho, deixaram Malak um pouco mais séria. Entretanto, talvez Dahkir jamais soubesse mas havia sido decisivo para manter a regente segura da decisão tomada e dos riscos assumidos com a migração. Após a partida do velho, ela ainda daria os pêsames à família e um carinhoso abraço em Adarah, reforçando que se esforçaria para que todos ficassem a salvo, a qualquer custo.

Apenas então Malak notaria o soldado e se aproximaria dele. Perguntava-se o que teria acontecido para que Loremont enviasse alguém para chama-la.

- Pois não, soldado?
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Loremont D'Allanur em Dom Set 04, 2016 11:20 pm

O soldado aguardou pacientemente – tampouco tinha outra escolha –, apenas respirando fundo e baixando um pouco o olhar ao compreender o que acabava de acontecer. Já havia presenciado perdas diversas e temia que aquilo se tornasse uma rotina de modo a não causar mais abalos. Retornou dos devaneios quando Malak lhe permitiu a palavra.

- Regente! O Mestre de Armas acabou de retornar e procurou por você, me pediu que lhe fosse informada! Ele está trabalhando em alguns mapas em uma tenda ao centro do acampamento enquanto transmito esta mensagem.

Ao término de suas palavras, ainda estava em prontidão, como se aguardasse a próxima orientação quanto ao que acabara de dizer.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Dom Set 04, 2016 11:27 pm

- Retornaram rápido...

Foi tudo o que Malak disse, agradecendo o soldado com um movimento discreto de cabeça antes de partir rumo à tenda de Loremont. Não demorou a chegar, entrando sem ser anunciada: algumas formalidades eram inúteis em uma situação como aquela. A regente parou diante da mesa enquanto olhava as anotações feitas pelo mestre de armas.

- Loremont, como foi a expedição? Acha que conseguiremos atravessar esse pântano? Ou viu alguma outra rota, algo que possa nos ajudar?
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Loremont D'Allanur em Seg Set 05, 2016 12:05 am

A tenda de Loremont não era mais do que algumas estacas erguendo uma grossa pele de animais costurada de modo a proporcionar parcial proteção ao vento. A única coisa ali presente era uma plataforma rústica de madeira lenhada que servia como mesa, aonde vários rascunhos de mapas estavam presos por adagas e um central estava em andamento, mais detalhado, ao punho do próprio Mestre de Armas. Assim que percebeu a aproximação de Malak, levantou-se, pois não havia sequer outro assento para lhe oferecer.

- Regente. – Olhou ao redor, sobre os ombros de Malak, buscando garantir que não seriam perturbados. – Tenho algumas notícias que podem comprometer o nosso percurso. – Tornou a encara-la. – O pântano em si não está ocupado logo nas margens, mas existem patrulhas regulares desses mortos-vivos, o que significa que é um ponto de interesse para quem quer que esteja a controla-los. Realizamos o contorno externo do pântano e, ao término, há um largo rio que guia até duas cadeias de montanhas, ao norte e ao leste. – Indicava um dos rascunhos que havia feito, sobre a mesa – Para o leste, há mais tropas dos mortos, mais e diferentemente equipados destes que rondam o pântano. E para o norte, – O dedo percorria a pele do pergaminho – talvez, uma opção mais favorável, o caminho é guarnecido por tropas humanas e carregam emblemas dracônicos em seus equipamentos, acompanhados por gnomos, anões, raças que não pude distinguir com exatidão. Do lado dos mortos vivos, a temperatura era severamente baixa, enquanto o caminho do norte era o oposto. Mas uma coisa é certa... – Respirou fundo e ergueu-se novamente para dar continuidade. – Não podemos contornar o pântano, é territorialmente impossível.

Realizou uma breve pausa de modo a recobrar o fôlego e, novamente, averiguar se ainda estavam isolados. Somente ao estar assegurado, daria continuidade.

- Algo me chamou a atenção em meu retorno e você precisa saber. No centro do pântano, nas ruínas do que parece um castelo, há uma concentração enorme de tropas dos mortos, mista com outros guerreiros humanos, e diante deles um homem discursava de maneira peculiar. Tentava inflamar as tropas com premissas de poder aos que lhe servissem, e mencionava “Linda Morte” como se referisse a alguém. – Arqueou as sobrancelhas, respirando fundo. – E esse homem, Malak, carregava consigo uma armadura forjada em Firelands, certamente de algum membro de alto posto militar, mas não pude identifica-lo. Talvez um membro das forças opositoras ou um antigo desertor, mas há certeza no que falo, ele é um flamejante. E toda essa reunião de tropas aqui não é mero encontro, isso provavelmente deve refletir alguma invasão. Creio que seja tudo.

Por fim concluiu, observando firmemente como Malak reagiria.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Seg Set 05, 2016 12:36 am

A expressão era grave, séria, refletindo o que havia presenciado há alguns minutos, e reforçando o peso da responsabilidade que Malak tinha. Pouco se importava com a rusticidade do abrigo de Loremont, até porque eram todos muito semelhantes na situação em que se encontravam. O olhar foi desviado dos mapas para o rosto do Mestre de Armas quando ele começou a falar.

Prestava completa atenção no relato do homem, com a expressão facial pouco variando durante aqueles instantes. As notícias não eram nem de perto as esperadas pela regente, enquanto acompanhava os locais sinalizados por ele no mapa improvisado. A constatação de que era impossível contornar o pântano, além das patrulhas regulares de seres que eram mesmo mortos-vivos – já que agora quem relatava isso era confiável – abalaram de modo considerável a confiança de Malak. Na breve pausa de Loremont antes de continuar o relato, a regente passou a mão pelo rosto e pelos cabelos enquanto pensava no que poderia fazer. Há alguns minutos havia prometido a um moribundo que deixaria seus familiares em segurança e essa possibilidade parecia mais impossível a cada instante.

Estava ainda olhando os mapas quando o Mestre de Armas voltou a falar o que havia visto. Nada fazia sentido. “Linda Morte”, promessas de poder... Pensava que aquilo seria apenas uma confirmação de que os mortos-vivos tinham uma líder com um nome bastante sugestivo. Até ouvir sobre a armadura forjada em Firelands, a possibilidade de ser alguém de alto posto militar. Um flamejante liderando? Seguindo as ordens de “Linda Morte”? Malak ergueu o olhar e fitou Loremont por longos momentos, apesar de não parecer estar vendo de fato o homem. Dezenas de lembranças e possibilidades passavam por sua mente, embora nada que pudesse realmente esclarecer aquela dúvida.

- Um flamejante? De alto posto, Loremont? Tem certeza disso? Muitos desertaram nos últimos tempos mas... Não acho que nenhum assumiria um posto desses, com mortos-vivos. Sei que isso pode dificultar de modo considerável nossa travessia. Alguém de alto posto militar conhece o estilo de luta do exército, conhece nossas estratégias, pode antecipar nossos passos. E o oposto passa longe de ser verdadeiro: não conhecemos o território, nem a habilidade desses mortos, não sabemos de nada!

Apesar de manter um tom de voz baixo, reservado, havia de fato algum descontrole além do normal em Malak. O cansaço e as responsabilidades começavam a pesar.

- Não podemos ir para leste, seria condenar absolutamente todos à morte. E para norte? Não conheço nenhum reino cujo símbolo seja algo dracônico, poderão não ser receptivos a um grupo tão grande quanto o nosso e às raças presentes. A única saída que me parece viável é atravessar o pântano. O que acha? Talvez eu devesse ir até o lugar onde esse flamejante está, tentar ver quem é... - era uma ideia tola, sem dúvidas. Havia algo mais nos pensamentos de Malak, algo que Loremont desconhecia.

Era mais um momento em que a opinião e experiência do Mestre de Armas era necessária. Malak olhava-o enquanto aguardava alguma resposta.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Loremont D'Allanur em Seg Set 05, 2016 10:08 pm

Loremont sabia que as notícias eram plenamente adversas ao esperado, e era perceptível, ainda que discretamente, o exalar da tensão nas palavras e reações de sua regente. O Mestre de Armas permaneceu em absoluto silêncio, ouvindo com precisão às palavras de Malak, sem desviar-lhe o olhar até que recebesse a oportunidade da fala. Suas perguntas tangiam um nublado dissabor, e isso fazia com que seu próprio conselho pesasse ainda mais. Ponderou, fitando o chão sob seus pés por um breve momento, antes de tornar a encara-la.

- Sim, posso confirmar que era o tipo de equipamento de um alto membro hierárquico de Firelands, e ainda assim, nem mesmo os nossos guerreiros de elite utilizam dessa indumentária por padrão. Carregava consigo uma grande espada e a brandia ao alto entre suas palavras, originando labaredas que me fazem ter a certeza absoluta de que ele é um flamejante, e não apenas um afortunado que tenha abatido um comandante ou membro de destaque dos nossos exércitos e se apoderado de seus pertences. Mas eu jamais o vi, ele nunca esteve em Firelands desde que cheguei lá.

Eventualmente sua testa franzia e revelava uma imersão em planejamentos e reflexões. Tentava fornecer o máximo de orientação lógica, a ponto de auxiliar a interpretação de Malak diante do que presenciara. Consentiu com a cabeça quanto ao fato da travessia se tornar praticamente impossível e era uma realidade amarga saber que, para qualquer direção tomada, um combate resultaria no fim de toda aquela expedição.

- Sim, em hipótese alguma devemos ir para o leste. O norte parece ser a única opção de menor perigo, portanto minha sugestão seria ir até lá novamente com um grupo pequeno de cavaleiros e solicitar auxílio à patrulha. Eles guarnecem a cadeia montanhosa de acesso ao seu reino, não devem necessariamente apresentar ameaças à qualquer viajante e ao mesmo tempo podemos informa-los desse grande exército de mortos reunido no núcleo do pântano. Isso talvez nos garanta alguma credibilidade, e uma vez lá dentro, poderíamos oferecer ajuda na defesa, em troca de abrigo aos nosso pessoal. Não sabemos exatamente quem está lá ou qual a opinião deles a respeito de Firelands, mas ainda somos o que restou da hierarquia máxima de uma nação. Ao menos teríam que nos ouvir, por uma questão diplomática. – Novamente, respirou fundo, e sua expressão agora transmitia certa relutância. – Eu discordo da sua ideia de ir ao encontro desse flamejante, Malak, me desculpe. É um risco muito grande, não sabemos de que lado ele está e seus propósitos parecem tolos, é alguém que reune mortos em seus exércitos e promete glória a quem servi-lo, e talvez esse seja um dos motivos pelos quais ele abandonou Firelands. Não é algo que eu ou você faríamos... Estaríamos invadindo um território caótico sem proteção alguma, seja ela militar, territorial ou legal, mas se você acredita que é importante identifica-lo e desejar ir em seu encontro, eu irei junto, ainda que me ordene o contrário. De qualquer forma, 8 mil homens não contornam um pântano de maneira rápida e furtiva, só podemos avançar, e mesmo assim seguir em linha reta nos guiará diretamente ao centro de milhares de tropas de mortos-vivos e um Flamejante que os comanda. Nossas opções são enviar alguns batedores para estabelecer contato com esse reino do norte e torcer para que eles possam enviar auxílio e alguma escolta, contando com a sorte de não sermos descobertos pelas patrulhas enquanto permanecermos no acampamento, ou então correr o risco de avançar até esse desconhecido. E ainda que optemos pela segunda, eu não deixaria de considerar a chance de buscar esse reforço.

Havia sido claro e objetivo. Não eram as melhores escolhas, mas as únicas.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Seg Set 05, 2016 10:49 pm

Ouvia com absoluta atenção o relato de Loremont, com sua expressão pouco variando durante os momentos iniciais. Desviou o olhar para os mapas enquanto mantinha a testa franzida, surpresa e até um pouco assustada com a possibilidade que surgia em sua mente. A regente de Firelands experimentava diversas sensações e memórias, algumas amargas. Ergueu o rosto mais uma vez para explicitar seus pensamentos, em voz baixa devido ao teor do assunto.

- Um alto membro... As deserções começaram apenas pouco antes da guerra civil, Loremont. Antes da sua chegada apenas um membro de alto escalão desertou: Seeje, o mestre de armas. Mas não acredito que ele se juntaria a um exército de mortos-vivos, fazendo promessas vagas.

De braços cruzados enquanto ouvia, ficava apenas mais claro que não existiam opções a escolher. Era uma única realidade, duas improváveis chances: um pântano com mortos-vivos controlados por um desertor ou um reino desconhecido. O silêncio que se seguiu foi mais longo. Malak contornou a mesa e sentou-se no banco de Loremont, tateando o mapa rústico que o homem aperfeiçoava aos poucos. Era óbvio que pensava, óbvio que pesava os prós e os contras de cada possibilidade.

- “O que restou da hierarquia máxima de uma nação”, Loremont? Fui destituída, forçada a fugir do meu próprio reino como se fosse uma criminosa. Que credibilidade acha que teremos com um reino humano? Ajuda para abrigar milhares de flamejantes mortos de fome, doentes e fracos? – havia certo tom de irritação e frustração em sua voz – Prepare dois grupos. Escolha um soldado com habilidades diplomáticas e alguns batedores, enviaremos ao reino do norte um pedido de auxílio que redigirei agora mesmo. E nós iremos, sim, ver que maldito desertor é esse.

Havia um “quê” de revolta, de questão pessoal a ser resolvida naquele mesmo dia. Malak levantou-se em seguida, caminhando até a entrada da tenda e olhando Loremont por cima do ombro.

- Estarei na minha tenda. A carta estará pronta em poucos minutos, quando estiver com tudo arrumado, partiremos.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Ter Set 06, 2016 4:30 am

[OFF: Assim que Loremont descrever como os dois grupos foram divididos, eu turno.]
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Loremont D'Allanur em Ter Set 06, 2016 1:08 pm

Loremont desconhecia maiores informações a respeito do antigo Mestre de Armas de Firelands, o que lhe impedia de confirmar aquela suspeita, mas referindo-se a um notório Flamejante de alto posto militar que abandonou o continente antes da chegada do cavaleiro, era possível afirmar que tinham uma primeira pista consistente. Caminhou até o lado de Malak assim que ela sentou para estudar os mapas, e foi de certa forma surpreendido pelo tom da sua resposta.

- E ainda tem oito mil homens leais seguindo você, mesmo beirando uma morte miserável e vergonhosa em uma viagem que acreditam ser completamente suicida. Nos retiramos de Firelands por eles, e porque não havia mais nada a ser feito naquelas terras. A guerra está devastando o que sobrou enquanto eles mal sabem que já partimos de lá. Eu receberia qualquer representante de um reino, pelo menos para ouvi-lo, por questão de diplomacia, afinal os boatos voam rápido e se espalham com o vento... Que imagem teria um rei que reage com hostilidade aos regentes de terras vizinhas que sequer são seus inimigos? É necessário pouco para se comprometer as relações políticas de um continente e esse tipo de reputação é difícil de zelar.

Respirou fundo. Compartilhava das mesmas preocupações, apesar de defender com tanta ênfase uma visão imparcial das circunstâncias.

- Enviarei quatro dos meus cavaleiros de elite em escolta a um diplomata para encaminhar a sua mensagem. Os demais deverão ficar aqui para assumir o comando em nossa ausência. Se vamos ao encontro de um exército de milhares de mortos-vivos e vamos ficar à mercê da decisão de seu comandante quanto as nossas vidas, não fará diferença levarmos dez, cem ou mil. Se as coisas derem errado, é mais fácil que possamos reagir ou escapar sozinhos do que acompanhados. Eu já havia ordenado que as tropas permanecessem em formação e prontas para partir, vejo que antecipei uma boa decisão, pois todos já estão a postos e prontos para uma defesa emergencial. Não demoraremos mais do que um dia se tudo ocorrer bem.

Consentiu com a cabeça, e firmou o punho ao cabo de sua enorme espada. Caso Malak não tivesse mais nada a acrescentar em sua resposta, partiria de imediato para transmitir suas orientações e retornar até a tenda da regente.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Qua Set 07, 2016 2:53 am

[OFF: Vou deixar para descrever o que aconteceu com os quatro cavaleiros e o diplomata mais tarde.]

Estava decidido então. Malak e Loremont adentrariam o coração do pântano para se encontrar com o misterioso líder da horda de mortos-vivos enquanto o grupo de quatro cavaleiros e o diplomata rumariam para as montanhas ao norte carregando a carta da regente para tentar estabelecer contato com o reino de lá. Bastava que decidissem como seria a partida deles.

Anunciariam ao longo de todo o acampamento ou partiriam discretamente? Caso a partida fosse anunciada, era natural que um sentimento de abandono e desespero se espalhasse pelos refugiados, principalmente se eles percebessem que os soldados estavam se preparando para futuros problemas. A garotinha Adarah e sua mãe Najiri se despediriam de Malak, desejando boa sorte e um retorno rápido. Caso a partida fosse sorrateira, teriam que se atentar ao fato de que os refugiados começariam a perguntar por Malak mais cedo ou mais tarde. [OFF: Podem descrever isso em suas próximas ações.]

Conforme Malak e Loremont avançavam pântano adentro, a paisagem se alterava. O solo alagado se tornava mais lodoso e a movimentação era trabalhosa. Parecia haver ali uma escuridão e névoa sobrenaturais que não permitiam ver mais do que alguns metros à frente dos olhos. A temperatura ali caía bruscamente, o que tornava tudo mais difícil. A única vantagem que possuíam era o silêncio do pântano. Era fácil ouvir as patrulhas de mortos e/ou mercenários passando, sendo igualmente fácil evitá-las. Loremont poderia prover a direção facilmente, lembrando-se do local onde avistara o flamejante do alto do castelo.



Mesmo evitando as patrulhas pequenas, o encontro com integrantes daquele exército nefasto era inevitável. Afinal, estavam rumando para o centro, onde a concentração era maior. O primeiro contato aconteceu com uma patrulha de seis mortos-vivos estacionados em uma área de terra firme em meio ao solo alagado. Estavam armados com correntes e porretes e emitiam grunhidos estranhos entre eles. A pele de pelo menos três parecia estar revestida de algas do pântano que, combinadas com seus corpos em decomposição, proporcionavam um cheiro terrível.

Não havia nenhum humano ou criatura de maior inteligência entre eles. Portanto, mesmo se Malak ou Loremont tentassem uma abordagem pacífica, não seriam correspondidos. Ao avistar a regente e seu Mestre de Armas, as seis criaturas partiram ao ataque, mostrando que eram regidos por uma ordem simples de repelir qualquer invasor àquele território. Eles dividiram o grupo, de forma que três criaturas atacaram Malak e três atacaram Loremont simultaneamente.

[OFF: Não é necessária rolagem, são criaturas de baixo nível, apenas descrevam como vocês os derrotaram.]
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Qua Set 07, 2016 8:10 pm

Malak redigiu uma carta que seria levada pelo diplomata ao reino vizinho. Os pedidos eram simples: abrigo e alimento para o grupo por alguns dias e permissão para atravessar o reino à caminho de Domine Mathesis para que pudessem evitar o pântano e seus perigos.

A regente optou por avisar ao grupo que partiria apenas para verificar a segurança e viabilidade do caminho que deveriam atravessar. Disse também que não deveriam temer, ela jamais partiria sem levar junto todos os civis e militares leais. Adarah recebeu um beijo no rosto e ela e sua mãe ouviram pessoalmente de Malak que seriam todos levados juntos na travessia, que deveriam ficar calmas e aguardar. Deixou um flamejante de sua plena confiança como comando temporário, até seu retorno.

A caminhada pelo pântano era lenta e dificultada pelo solo, por mais que Malak tivesse o cuidado de escolher um traje mais adequado. Não falava durante o caminho, atenta aos sons e ao que poderia denunciar a presença de Seeje ou de quem quer que fosse o flamejante de alto escalão por ali. Era a primeira vez que via os tais mortos-vivos e sua expressão era de visível nojo e surpresa, por jamais ter sido capaz de imaginar que seres como aqueles existiam. Já havia ouvido relatos mas acreditava que eram fantasiosos e nada além.

Os três que atacaram Malak foram atingidos por bolas de fogo ‘simples’, sem que a regente gastasse muito de seu poder com aqueles mortos-vivos. Não sabia ainda quantos encontrariam e Seeje seria um adversário problemático caso resolvesse ataca-los. Caso Loremont precisasse de ajuda, o que seria improvável, receberia o auxílio imediato da senhora das chamas.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Loremont D'Allanur em Qua Set 07, 2016 9:29 pm

Os demais cavaleiros de elite de Loremont foram ordenados a permanecer no acampamento e dar suporte ao flamejante nomeado por Malak, como forma de garantir a visibilidade da segurança e tentar preservar o controle, ao mesmo tempo em que receberam o secreto objetivo de observar como ele lidaria com aquela responsabilidade. Justificou sua partida junto da regente como necessária para demonstrar as opções de rota que havia colhido em sua patrulha, e a organização das tropas era por mera questão de ordem, era preciso lembrar que continuavam a céu aberto e preservar a formação significava maior proteção, sendo isso o maior a se prezar durante toda a expedição.

Desde a entrada no pântano, o único som emitido por Loremont era o de sua armadura conforme escolhia os passos certos no terreno lodoso e desnivelado, por vezes fitando Malak e seus flancos. Embora tivesse facilidade em guia-los até o ponto aonde observou o comandante dos mortos, tinha a impressão de que a frequência e quantidade das patrulhas havia aumentado, e quando finalmente o solo lhes oferecia uma melhor condição de travessia, surgiu o encontro inevitável.

Por alguns momentos, permaneceu imóvel, encarando e avaliando o comportamento dos soldados mortos. Analisava severamente os detalhes, pois desconfiava que aquelas tropas permaneciam a algum clérigo maligno ou necromante e não apenas ao pretenso flamejante, e ao perceber que seriam atacados, o Mestre de Armas tomou iniciativa em sua própria investida. Corria com o corpo levemente curvado, aonde seu antebraço direito permanecia flexionado diante de si conforme a enorme lâmina de sua espada era apontada para trás, na mão esquerda, lhe garantindo o balanço e equilíbrio para manobrar sua exótica arma. Diante do primeiro, freou sua carga, abrindo momentaneamente a guarda para desferir um golpe ascendente e transversal, separando seu corpo pútrido em dois pedaços. Não deu mais do que um passo adiante, girando em torno do próprio eixo enquanto erguia a espada sobre a cabeça para impulsionar o próximo golpe, dessa vez horizontal, decapitando o segundo morto-vivo. Suas pupilas já dilatavam e as íris convertiam-se em um rubro incandescente e vívido, reflexos de seu poder latente, e então caminhou rumo ao terceiro e último cadavérico agressor.

- Condenado seja aquele que viola o descanso dos mortos e os desperta novamente para um tormento sem fim. Eu garanto...

Agarrou o pescoço do soldado reanimado em sua frente, erguendo-o do chão com sua mão livre enquanto continuava a avançar. Seus cabelos tremulavam harmonicamente diante dos olhos que pareciam projetar uma cólera silenciosa, conforme encarava-o.

- ... Que nenhum flamejante sob a minha vigia...

Cessou seus passos ao encontrar uma árvore, aonde prensou o corpo ainda hasteado do seu condenado inimigo. Ergueu o punho que carregava sua espada, atravessando não só o seu corpo, mas enterrando-a até a metade do tronco úmido e envelhecido atrás dele – e revelando uma força inacreditável –, que mesmo empalado, ainda tentava reagir.

- Terá esse fim.

No término de suas palavras, a lâmina de Loremont acendeu, e dela projetaram-se as chamas que agora consumiam o corpo do morto-vivo. Não demorou para que os seus restos escorressem pelas laterais da velha árvore, e somente então o Mestre de Armas recolheu sua arma e observou as condições de Malak. Suas íris gradativamente retornavam ao natural.

- Estamos próximos ao núcleo, a frequência das patrulhas tende a aumentar, precisamos redobrar o cuidado. Enquanto forem apenas tropas comandadas por magia, não teremos problemas... Mas provavelmente as margens das ruínas que avistei estarão muito melhor guarnecidas, e certamente por unidades mais avançadas. Mesmo entre os mortos, há muitos que vagam em busca de poder e não se submetem a mero controle mágico. Devemos seguir com cautela.

Concluiu, dando uma última observada ao redor, limitado pela densa névoa. Se tudo aparentasse normalizado, estaria pronto para continuar.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Qui Set 08, 2016 6:38 pm

Loremont não podia imaginar o quanto estava certo. As patrulhas naquela área realmente eram mais frequentes e mais próximas entre si. Tão próximas que os sons e as luzes das chamas daquela batalha GLORIOSA atraíram mais mercenários e mortos-vivos. Primeiramente dez inimigos se aproximaram, depois mais vinte e depois mais cinquenta. A névoa, a escuridão e a cobertura que as árvores retorcidas ofereciam impediram Malak e Loremont de avistarem e quantificarem os inimigos na área. Logo estavam cercados por centenas deles e ficou evidente que continuar lutando era inútil.

Um dos mercenários humanos abriu caminho entre o batalhão de mortos-vivos e deu um grito para que as criaturas parassem de atacar. Outro homem discordou da ordem do primeiro, desejando atacar os flamejantes até que estivessem mortos. Mas o primeiro insistiu na ordem, mostrando uma posição superior na hierarquia interna do bando nefasto, e disse:

- Parem de atacar, seus imbecis! Não perceberam como estes dois lutam?? Vejam suas vestimentas! Eles são parecidos com o Comandante!

- Não interessa quem eles são ou de onde vieram! Eles invadiram o território de Linda Morte e devem morrer! Estas são nossas ordens! Ou você não cumpre suas ordens quando é pago?? - Respondeu o segundo homem.

- Se estes dois fossem camponeses perdidos ou cavaleiros errantes idiotas, já estariam mortos! - Respondeu o primeiro. - Mas e se o Comandante desejar se encontrar com eles? Você levará os corpos e explicará o motivo? Será a nossa morte. Ao contrário de você, eu penso mesmo quando sou pago. Não arriscarei. Hey, defuntos, prenda-os e levem-os conosco até o castelo! - Ordenou o homem aos mortos-vivos ao redor de Malak e Loremont.

E, como ordenado, as criaturas se aproximaram dos dois flamejantes para amarrá-los com correntes. Um dos mortos tentaria pegar a espada de Loremont. O líder mercenário ficaria ali até que fossem rendidos.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Qui Set 08, 2016 7:53 pm

Malak havia considerado o ataque de Loremont um “pouco” extravagante demais e pensou que aquilo poderia atrair mais patrulha. Lamentou, instantes após, estar certa sobre aquela suposição. Pelo menos agora já não fazia mais sentido em tentar uma abordagem mais discreta... A princípio a regente de fato combateu os inimigos que se aproximavam, ainda usando o fogo como principal arma e usando-o de diversas formas: bolas, lanças, explosões.

Percebendo que estavam cercados, a senhora das chamas viu que os esforços estavam sendo inúteis e que provavelmente resultariam apenas no desgaste físico de ambos. Ouvindo o diálogo entre os dois mercenários, parecia que teriam uma chance de encarar aquele flamejante desertor, embora não soubesse se conseguiriam sair dali livres ou mesmo vivos. Malak olhou seu Mestre de Armas, sinceramente desejando que ele tivesse sido precavido o suficiente para deixar alguém avisado para que os buscassem caso não retornassem rapidamente. Não queria abandonar aqueles que haviam sido fiéis a ela.

- Não é necessário! Mande que parem e iremos sem causar problemas! Ou traga seu comandante até nós. Diga-o que Malak Nawar, regente de Firelands, está aqui.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Loremont D'Allanur em Qui Set 08, 2016 10:40 pm

O fato de ser incapaz de perceber a dimensão das tropas que se aproximavam – devido a cobertura do terreno e da névoa pantanal – impulsionava a combustão do cavaleiro pela batalha e o motivava a seguir brandindo sua lâmina. Conforme os primeiros grupos se aproximaram, Loremont apenas buscou ao relance dos olhos de sua regente a orientação dos próximos passos, e ao perceber que ela também lutaria, mergulhou entre os inimigos com uma implacável e bélica determinação. Lâminas de fogo ascendiam aos céus a cada golpear, e os restos de seus inimigos abatidos eram arremessados uns sobre os outros, o que talvez fosse sua única garantia de margem de espaço para preservar a estabilidade de seus movimentos, mesmo rodeado. Quando finalmente deu por si, realizou que tanto ele quanto Malak estavam plenamente cercados, não apenas por uma camada de inimigos, mas incontáveis, e a intervenção na voz do mercenário veio em momento oportuno. Loremont preparava-se para sua primeira imprudência, pronto para despertar a sua Chama e varrer o maior número possível de inimigos diante de si em um golpe devastador... Apenas respirou fundo ao perceber que alguém – finalmente – tentaria comunicação. Um momento para retomar o fôlego.

Ouvia em pleno silêncio às palavras dos mercenários, e pelo diálogo trocado, comunicaria-se apenas com aquele que demonstrou ser superior aos demais.

- Parece que o motivo para você comandar os demais é justo, ainda que seja um mercenário. Seu subordinado não demonstra a mesma sabedoria. Talvez fossemos derrotados aqui, mas definitivamente não seria pelas mãos dele. Indiretamente, acaba de salvar sua vida.

Não estava em posição de ser arrogante, mas a lealdade de um mercenário poderia ser questionada, eventualmente. Talvez levantar aquela semente de discórdia pudesse até lhe ganhar algum tempo. Não havia mais propósito em lutar, e ainda que pudessem destruir uma vasta quantidade daqueles homens e soldados caídos, em breve chamariam demasiada atenção e seriam comandantes e tenentes a rodeá-los. Colocou-se de lado para o morto que havia sido orientado a desarmar o Mestre de Armas. Curiosamente, flexionou o braço, estendendo a espada apontada em sua direção, como se aguardasse para que ela fosse tomada.

- Pois bem. Entregarei minha arma. Mas se me permitem um humilde pedido, há uma condição para que ela seja carregada longe de mim...

Aguardou até que o soldado chegasse perto, somente então reagindo. Impulsionou o corpo para frente, em uma veloz estocada, cujo objetivo era enterrar até a base da lâmina no peito do morto-vivo. Pelo diâmetro da espada, formaria uma fenda desde o seu estômago até seu nariz.

- ... Minha espada só se separa de mim se algum de vocês puder carrega-la atravessada nas próprias entranhas. Se eu tivesse a intenção de continuar a utiliza-la, não estaríamos conversando agora. Até então, lutamos apenas para sobreviver às investidas das suas patrulhas, incapazes de raciocinar ou compreender qualquer mensagem. Diante de vocês está a regente de Firelands, e os acompanharemos pacificamente. Não permitirei que ela seja conduzida a lugar algum acorrentada como uma prisioneira ou escrava, tampouco me submeterei a qualquer condição que me impeça de protege-la.

Finalmente desenterrou a espada do cadáver diante de si. O seu tom de voz não tinha a intenção de ameaçar ou intimidar, mas sim a objetividade de transmitir uma mensagem clara. Não era uma pessoa estúpida mas servia com lealdade aos seus propósitos, e ainda que soubesse o momento de aceitar uma rendição, contava com as falhas dos seus próprios inimigos. O mercenário de posto maior já admitia não saber se Loremont e Malak eram pessoas do interesse do seu comandante, dando a entender que não assumiria a responsabilidade de tentar mata-los pelo risco do erro, e era nessa brecha que o Mestre de Armas explorava a liberdade de seus termos. Fitou Malak e achou válida a ideia do comandante inimigo comparecer até aquele local, ao menos ali não estariam em evidência entre os milhares de combatentes que ele parecia liderar. Infelizmente, Loremont não havia feito qualquer recomendação de socorro no caso de não retornarem rapidamente. De nada adiantaria enviar um punhado de homens para resgata-los no meio de uma fortaleza inimiga, aonde os dois maiores poderes de Firelands acabavam de se render.

- Tenho certeza que, a partir daqui, podemos nos entender.

Somente então baixou sua espada e supostamente a sua guarda. Permaneceria em absoluta vigília até ouvir uma resposta.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Sex Set 09, 2016 12:28 am

O morto-vivo que Loremont havia atravessado com a espada permaneceu ali perto dele com um buraco gigantesco do nariz até o abdômen e aguardou novas ordens, já que pegar a arma do flamejante não havia dado certo. O segundo mercenário, o que Loremont ofendeu, ficou furioso e correu na direção do Mestre de Armas para se vingar. O atacante de Loremont portava uma espada comum que não possuía, nem de longe, a qualidade da arma do flamejante, assim como ele mesmo não possuía nem metade da habilidade do companheiro de Malak. [OFF: Pode descrever como Loremont o matou. *Mestre adorando as ações GLORIOSAS do Mestre de Armas.*]

O líder mercenário bateu palmas e gargalhou. Depois olhou para Loremont e disse:

- Ele desobedeceu minhas ordens e decidiu atacá-lo por conta própria. Você se defendeu. Nada mais justo. - Ao que parecia, a menção de Firelands apenas convenceu mais o líder mercenário de que precisava levar os capturados até o comando maior. O homem mandou que todos aguardassem. Em seguida, chamou três de seus companheiros humanos e conversou com eles em baixo tom de voz, como se fosse uma rápida reunião para decidir o que fariam.  Não demorou muito até que o líder se virasse para os flamejantes novamente e dissesse:

- Trazer o Comandante até aqui está fora de questão. Percebi que o Senhor Honroso - Apontou Loremont - se recusa a ser acorrentado. Se eu continuasse tentando, vocês continuariam destruindo nosso exército e eu continuaria enviando mais defuntos contra vocês, em um ciclo idiota que apenas prolongaria a sua rendição ou morte. Eu sou um cara prático e não estou nem um pouco afim de ficar assistindo uma luta que irá demorar horas, então vamos agilizar as coisas, sim? Nós vamos escoltar vocês até o Comandante. Fiquem quietos e não façam nada. Lembrem-se de que soltaremos todos os defuntos contra vocês. Parecem ser bons combatentes, mas acho que não iriam querer descobrir seus limites, certo? - Ele fez um sinal para que os mortos-vivos mantivessem um círculo ao redor dos flamejantes e ordenou aos outros que estavam mais longe:

- Vasculhem a área e descubram se eles estão sozinhos. Os outros, sigam-me! - Aquela não era uma boa notícia. Se os mortos-vivos vasculhassem longe o suficiente, descobririam os refugiados flamejantes nas cercanias do pântano.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Sab Set 10, 2016 2:00 pm

Malak optava por manter uma postura mais discreta, sem exibir demais o que era capaz de fazer. Não sabia quem era o desertor e, se fosse Seeje e se ele decidisse por algum motivo ataca-los, ela precisaria de toda sua força para que conseguissem escapar dali. A regente sequer se moveu quando seu Mestre de Armas atacou e matou o oponente que havia desafiado o próprio líder, mais interessada em observar o mercenário e suas atitudes. Ainda parecia difícil acreditar que um flamejante se sujeitaria a comandar exército tão baixo, divulgando promessas que pareciam um tanto irreais.

Os pensamentos foram dispersados quando o homem voltou a falar, sem contesta-lo por estarem simplesmente em posição nada vantajosa. O único momento em que sentiu legítima aflição foi ao ouvir a ordem para que vasculhassem a área, tanto que buscou dessa vez o olhar de Loremont. Se os refugiados fossem descobertos, uma nova batalha começaria e terminaria de dizimar aqueles que eram fieis a ela, já enfraquecidos pelo cansaço, fome e doença. Acreditava, no entanto, que pelo menos o exército seria capaz de resistir e rechaçar uma tentativa inicial de agressão, talvez permitindo tempo suficiente para que eles retornassem para ajuda-los. Aproximou-se um pouco mais de seu Mestre de Armas para que caminhassem juntos até o castelo.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Loremont D'Allanur em Dom Set 11, 2016 4:17 pm

Loremont pensava de maneira oposta à regente, pois seu único reforço era sua própria força, e se pudesse fazer com que centenas de soldados percebessem o risco de enfrenta-lo por presenciarem uma margem de suas capacidades, estaria poupando um enorme desgaste físico e preservando a própria vida. Ao perceber que o mercenário de posto inferior investiria em sua direção, apenas respirou fundo, e girou uma única vez a sua espada antes de enterra-la no chão, desarmando a si mesmo.

- Você teve a sua chance.

Aguardou até que ele desferisse o primeiro ataque, alto o bastante para que o Mestre de Armas pudesse esquivar com um breve flexionar de pernas, curvando o corpo em um arco de modo a sair do curso da espada, e ao mesmo tempo em que estabilizava novamente sua postura, trouxe o punho cerrado contra o peito do homem, de baixo para cima, valendo-se da sua guarda ainda aberta enquanto terminava o impulso de seu golpe imprudente. Havia colocado tanta força que era capaz de sentir suas costelas esfacelando ao impacto da manopla de aço, revestida pelos ornamentos diamantinos que reforçavam sua potência e proteção. Havia sido o suficiente para impedir o seu agressor de continuar lutando, que respondeu com o baque seco do pulmão perfurado pelos próprios ossos, curvando-se imediatamente de dor.

- Você é pago para seguir ordens, e não para desobedece-las. E por causa disso você irá morrer agora.

Levou a mão de encontro à nuca do homem, já desabilitado, e a empurrou com tamanha brutalidade que a enterrou por completo no lodo sob seus pés, assim como metade dos seus ombros. Era claro que aquela força não podia ser proveniente de um combatente ordinário, e enquanto o mercenário fadado à morte debatia seus braços em seus últimos e vagos esforços, Loremont colocou-se de pé e recolheu novamente a sua espada. Se houvesse uma remota chance dele se libertar, com ou sem ajuda, ele provavelmente continuaria inutilizado para qualquer combate posterior.

Ao mesmo tempo em que o homem no comando das tropas consentiu com os termos, Loremont assumiu sua parte e permaneceu quieto. O mercenário demonstrava ser prático e mais racional, o que talvez lhe permitisse dialogar sobre a preocupação que acabava de surgir a partir de sua última ordem. Fitou Malak ao mesmo tempo em que ela o fizera, e sabia que deveria intervir, pois a quantidade de mortos-vivos enviadas para vasculhar as redondezas era grande o bastante para causar problemas ao acampamento. Por sorte, havia ordenado que as tropas permanecessem prontas e na formação de cobertura aos centros aonde os civis se encontravam. Simultaneamente, aproximou-se de Malak, mas se fez ouvir ao interromper a escolta.

- Segure seus homens!! Lhe pouparei o trabalho, pois não estamos sozinhos. Estamos escoltando uma caravana de flamejantes doentes e com fome, em sua grande maioria incapazes de brandir uma espada. Você demonstra ser uma pessoa racional, então eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Nos leve até seu comandante, darei os relatos do que ele precisar saber, e peço que aguarde a reação dele antes de de decidir o que fazer a respeito da caravana que conduzimos. Uma tropa de soldados mortos pode causar problemas aos civis, e infelizmente eu não posso permitir que isso aconteça, pois eles dependem de nós e confiam na nossa proteção.

Tão logo terminou, firmou a empunhadura da espada e permaneceu imóvel. Contava que a sua eloquência o ajudasse, mas não havia qualquer menção de blefe em suas palavras, apenas sugeria uma colaboração mútua enquanto a incerteza garantia à regente de Firelands e seu Mestre de Armas a chance de negociar. Não descartava a possibilidade de chegar ao encontro do Flamejante desertor e as coisas piorarem consideravelmente, mas ainda faria o possível para ganhar tempo. Buscou brevemente o olhar de Malak, não sabia se teria sua aprovação mas era a única decisão que podia tomar, e ela perceberia que ele estava pronto para reagir se o mercenário fizesse menções de discordar.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Seg Set 12, 2016 3:38 am

Quando Loremont começou a falar, o líder mercenário interrompeu sua caminhada e se virou para o Mestre de Armas. Depois de ouvi-lo, o líder permaneceu pensativo novamente por alguns segundos e respondeu:

- Que seja. Se estiver mentindo e isso for uma armadilha, a notícia chegará ao Comandante e então vocês terão que lidar com ele de qualquer maneira. - Em seguida, virou-se para os mortos-vivos e os outros mercenários. - A ordem de vasculhamento da área se mantém! Aumentem o raio de patrulha! Se encontrarem a caravana, apenas observem e não iniciem combate até segunda ordem! Eu quero saber quantos soldados eles têm! O resto, retomem o caminho!

Loremont havia conseguido comprar a segurança dos refugiados, pelo menos por enquanto. É claro que o líder mercenário poderia estar mentindo, enviando sua tropa nefasta para atacar. Mas ele, assim como todos os outros humanos daquela milícia, mesmo sendo pagos para obedecer, pareciam ter um medo genuíno do Comandante. Este Comandante, por sua vez, representava a tal figura misteriosa conhecida como "Linda Morte".

Retomaram o caminho para o castelo nas entranhas do pântano. Loremont já havia visto aquela região de longe e as estruturas de pedra eram maiores do que pareciam à distância. Eram claramente ruínas antigas de um castelo, muito mais antigas do que a presença daquelas criaturas nefastas. Talvez até mesmo tenha existido um reino ali algum dia que fora vítima de destruição, peste ou ambos, e a natureza retomou seu espaço, revestindo as ruínas com musgo e algas pegajosas. Havia uma única estrutura de pedra quase totalmente intacta que devia estar servindo como base para aquela milícia. Desta estrutura brotava uma única torre muito alta, de onde Loremont avistara o flamejante misterioso.



Ao redor da estrutura estavam acampados os humanos que faziam parte daquele exército. Suas tendas se estendiam por quilômetros ao longo do pântano e ficava difícil projetar um número dada a péssima visibilidade do lugar. Mas o que mais impressionava era a quantidade de mortos-vivos. Só ali, ao redor da torre principal, uma rápida contagem mental estabelecia cerca de duzentas criaturas. Se a mesma proporção fosse aplicada em um raio de quilômetros, a projeção era assustadora. Os humanos estavam em quantidade bem menor comparados aos mortos-vivos.

Há cerca de um quilômetro do castelo, Malak sentiu a presença do flamejante misterioso. Assim como acontecia com Loremont, a chama daquele indivíduo entrava em ressonância com a da regente, tornando a outra pessoa mais forte. Além de seu atual Mestre de Armas, só havia uma pessoa que conseguia este efeito. A confirmação viria rapidamente, logo que chegaram à entrada deteriorada do castelo. O Comandante ainda estava sob as sombras do interior do recinto quando sua armadura acendeu como brasa e queimou com mais intensidade à medida em que Malak se aproximava. Assim que veio para o lado de fora, Seeje não acreditava em seus olhos. Bradou, quase como um rugido, em um misto de surpresa e ódio:

- Pela Grande Chama! MALAK!!!
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Seg Set 12, 2016 4:05 pm

Malak estava incerta se a estratégia de Loremont daria certo ou se apenas apressaria os problemas. Apesar disso, não disse nada que pudesse contradizê-lo, permanecendo tão séria quanto antes enquanto aguardava a resposta do homem que agia como líder. Quase pôde respirar com alívio quando ouviu que os comandados deveriam apenas observar, caso encontrassem o grupo, embora restasse a certeza de que os flamejantes atacariam os espiões caso fossem percebidos. Olhou Loremont e assentiu, em uma aprovação silenciosa de sua atitude.

Caminhava então no meio do grupo de mortos-vivos, observando o terreno por onde passavam e logo o castelo em ruínas. Pouco passou por sua mente para explicar o que podia ter acontecido naquele lugar para resultar em tanta destruição. Também percebeu a grande quantidades de soldados recrutados pelo desertor, sob comando da misteriosa “Linda Morte”, e considerou que a segurança de seu grupo estaria comprometida caso todo aquele exército recebesse a missão de ataca-los.

Inquietou-se um pouco ao sentir a presença do flamejante, piorando o receio quando percebeu que a chama parecia entrar em harmonia com alguma outra além da de Loremont. Malak sabia quem era o desertor, aquela era uma confirmação suficiente, mesmo antes de ver Seeje.

- Seeje, então é você mesmo... – se o ex-mestre de armas bradava com surpresa e ódio, Malak concluía em um misto de decepção e tristeza.

Independente da presença de Loremont, do líder mercenário e dos mortos-vivos que os cercavam, a Senhora das Chamas olhava unicamente para seu antigo aliado, amigo e, talvez, paixão. Aproximou-se um pouco mais, permitindo ao próprio corpo acender em chamas por breves instantes para em seguida deixar apenas uma fagulha persistente em seu olhar. Interromperia a caminhada se fosse impedida – caso contrário, pararia diante do comandante.

- Por quê...?
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Loremont D'Allanur em Ter Set 13, 2016 8:00 pm

Respirou fundo ao ver que supostamente conseguiu ganhar tempo para os refugiados. Os últimos dias pesavam enormemente nas costas do Mestre de Armas, pois estava sendo responsável por tomar uma série de decisões que, ao menor deslize, comprometeriam não só a confiança de todos aqueles sobreviventes como também as suas vidas. Não podia falhar, tanto com Firelands quanto com Malak, e por isso parecia tão determinado mesmo diante dos momentos de maior tensão. Não teve nada a dizer, apenas permitiu-se escoltar em silêncio enquanto observava os peculiares detalhes daquele cenário, cujo marchar do tempo clamou para si. Não tinha conhecimento de onde estava, mas todas aquelas estruturas lhe despertaram certa curiosidade sobre a história do local, que logo foi dissipada pela visão da fortificação ao redor da enorme estrutura central. Por um instante, temeu, não por si, mas pelos flamejantes. Não seria capaz de protege-los se a situação se convertesse em caos.

Devido a proximidade, Loremont também podia sentir a presença daquele homem, firmando a certeza de ser um nativo de Firelands. Quando colocaram-se diante da entrada do castelo, percebeu o inflamar da armadura do Comandante, e franziu o cenho em surpresa. O Cavaleiro da Chama imediatamente cessou seus passos ao ouvir a maneira como o estranho reagia à regente de Firelands, fitando-a assim que ouvira chamar seu nome. Loremont não sabia como era a relação de ambos, mas não reconhecia aquele sujeito como um potencial aliado, tendo em vista os propósitos ambiciosos que demonstrava servir.

- Malak!

Deu alguns passos adiante, e sua voz sugeria abertamente que fosse cautelosa. Novamente interrompeu seu avanço ao notar que ela emergia suas próprias chamas, e terminou por calar-se. Fitando seus flancos, o Mestre de Armas tentou contabilizar uma proporção das tropas no interior do castelo, avaliando se o afunilamento da entrada poderia lhe garantir uma vantagem quanto ao vasto flanqueamento que sofreriam lutando em campo aberto. Já podia sentir o brotar das centelhas de sua aura ardente sinalizando o despertar de seu adormecido poder.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Qua Set 14, 2016 5:18 am

[OFF: Respondendo à observação de Loremont dos arredores primeiro.]

Agora que estavam mais próximos da entrada, Loremont podia observar que o interior do castelo estava iluminado pela luz precária de muitas velas dispostas ao longo do hall de entrada. Aquilo não era nenhuma surpresa já que tudo ali parecia escuro, sem falar na presença maligna e desconfortável daquelas criaturas. Era perceptível que eles haviam retirado quase todos os objetos do hall, deixando apenas algumas mesas e cadeiras novas onde, provavelmente, eram organizados e conferidos os pagamentos aos mercenários. As portas de madeira da entrada em forma de arco já não existiam, de forma que, mesmo se Loremont conseguisse dominar o interior do castelo, não teria como impedir os inimigos de entrarem. Claro, isso os forçaria a se afunilarem ao atacarem, mas essa era a única vantagem tática pois, até onde Loremont sabia, aquela era a única entrada e a única saída da estrutura.

A aproximação de Malak seria impedida por algumas das criaturas nefastas, que ainda faziam um círculo ao redor dela e de Loremont. Seeje permaneceu parado fitando a regente com cerca de cinco mortos-vivos entre eles. Por um rápido instante, o antigo Mestre de Armas mostrou sinais de que desviaria o olhar, de que não aguentaria encarar aquela que ele abandonou juntamente com Firelands. Mas ele continuou olhando nos olhos dela, estufando mais o peito. Seu orgulho simplesmente não permitira tal reação. Antes que um silêncio perturbador imperasse ali, o líder mercenário tratou de explicar as coisas. A pose de durão apresentada anteriormente sumiu rapidamente perante Seeje:

- Comandante, vejo que já conhece esta... Hã... Invasora. Foram encontrados a alguns quilômetros, ao sul. Este homem - Apontou Loremont - alegou que há uma caravana com eles de pessoas de sua terra. Meus homens estão vasculhando o perímetro para saber se a informação é verdadeira e devem trazer a confirmação logo. Comandante, eles se recusaram a ser acorrentados e desarmados e eu precisava escoltá-los até o senhor o mais rápido possível. Nosso exército é muito numeroso e se eles tivessem feit... - O mercenário foi interrompido por Seeje, que falou sem tirar os olhos de Malak:

- Cale-se! Meras correntes obviamente não poderiam prender Malak Nawar, a Portadora da Grande Chama! Ou assim acreditei que ela fosse! E este deve ser seu novo Mestre de Armas, seu novo cão de guarda! - Disse, olhando rapidamente para Loremont. - É muito fácil ver isso! Postura defensiva, sempre analisando os arredores, pensando nas probabilidades de sobrevivência e rotas de fuga! Eu me lembro muito bem desse trabalho, o que me faz lembrar de como fui imbecil! - E então voltou-se para o líder mercenário. - Não terei esta conversa aqui! Ouvirei o que Malak e seu novo cachorrinho têm a dizer no castelo, apenas me interrompa para informar as descobertas dos batedores!

O mercenário fez um afirmativo com a cabeça e se afastou rapidamente. Seeje dispensou a escolta e deu as costas, começando a caminhar para dentro, esperando que Malak e Loremont o seguissem. Subiriam a escadaria do hall de entrada e acessariam uma sala no segundo andar, a única que parecia mais ou menos intacta e com móveis recentes. Exceto pela torre, os demais andares estavam inacessíveis devido ao estado do castelo. Seeje esperava que eles não falassem até chegarem na sala. Uma vez dentro da mesma, ele quebraria o silêncio, após retirar o próprio elmo e deixá-lo em cima de uma mesa no canto:

- Então é isso, Malak?? Depois de dois anos, você veio até aqui para perguntar por que eu saí de Firelands??
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Qua Set 14, 2016 10:09 am

Foi apenas devido à presença das criaturas que Malak interrompeu sua aproximação, embora o olhar ainda não se desviasse de Seeje. Percebia que o orgulho ainda era forte em seu mestre de armas e sabia que aquilo certamente dificultaria qualquer conversa. Havia mágoa mútua, havia ressentimentos mesmo que não esclarecidos.

Apesar de ouvir o que o mercenário falava, o olhar ainda estava fixo no ex-aliado. As chamas brilharam com mais força diante do desafio velado à sua legitimidade como Portadora da Grande Chama e Malak chegou a fechar um pouco as mãos por breves segundos. Não adiantaria enfurecer, não naquele instante antes de entender o que causava tanto ódio em Seeje. Depois que ele estava de costas, a regente olhou para Loremont e logo começou a caminhar atrás do comandante daquelas tropas.

Ao chegarem na sala no segundo andar e ver o flamejante sem seu elmo, como costumava vê-lo em raras ocasiões, Malak respirou mais profundamente e se aproximou alguns passos para responde-lo. Estava mais magra, com expressão cansada e preocupada, roupas gastas, mas ainda portava a mesma grandeza e imponência de seus tempos áureos em Firelands. Recusava-se a se render e abandonar seu destino e seus leais aliados e não demonstraria qualquer sinal de fraqueza diante de Seeje. A voz não era alta, não era ríspida. Era apenas carregada de um ressentimento duradouro, que ocupou sua mente por muitas noites desde a deserção do flamejante.

- Mandei que fizessem buscas por você, que varressem o império de ponta a ponta para te encontrarem. Perdi noites de sono tentando entender o que havia motivado essa sua atitude, Seeje. Você me abandonou e não teve a mínima dignidade de se justificar. Foi covarde e fugiu... – continuaria, ainda com os olhos queimando em chamas – Firelands não existe mais, Seeje. Foi destruída pela guerra civil, pela intervenção do Império, pela ganância, e fomos forçados a fugir. Por mais que eu queira, sim, saber o motivo da sua deserção, eu não vim até aqui para perguntar isso. Apenas me interessa saber se poderei passar por esse pântano maldito em segurança e levar aqueles que dependem de mim até algum lugar seguro. São mulheres, crianças, idosos, doentes, com fome... São alguns soldados fieis, sob o comando de quem você pateticamente chama de cachorrinho. Que agora ocupa o maior posto, abaixo apenas de mim, que tem minha confiança absoluta, de quem peço conselhos e opiniões... Exatamente como era com você, quando era meu porto seguro.

Daria as costas a ele para se afastar alguns metros em direção a alguma janela.

- Jamais imaginaria que era você. Não quis acreditar no relato de Loremont, de seus brados prometendo fundos e mundos em nome de uma tal “Linda Morte”. Você tinha um destino grandioso, Seeje. Muito mais do que poderia imaginar... – virava-se outra vez para ele – Mas preferiu ser você o cachorrinho de uma mulher que não assume o próprio nome, comandando um exército de mortos-vivos podres e burros, comandando mercenários comprados com dinheiro. Nenhum deles tem a mesma lealdade a você que aqueles flamejantes que você abandonou. “Linda Morte” jamais terá a mesma lealdade que EU tinha a você. Jamais. Foi sua escolha... E agora eu espero que não dificulte nossa travessia, em honra pelo menos à sua origem, em respeito não a mim, mas aos seus semelhantes que aguardam em um acampamento, inseguros do próprio destino. E então... O que decide?
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Loremont D'Allanur em Qua Set 14, 2016 10:23 pm

Loremont permaneceu estudando cada possibilidade de reação no interior da fortaleza, resguardando suas alternativas para o caso dos ânimos se alterarem no decorrer daquele encontro. Retornou a si somente no instante em que a voz do líder dos mercenários deu início em seus relatos, e a partir de então seus olhos focaram-se exclusivamente em Seeje. Quando interrompeu as explicações de seu subordinado, cuspindo suas alegações infundadas sobre a Portadora da Grande Chama, o Mestre de Armas avançou um passo, que foi imediatamente interrompido ao soar de sua bravata. O olhar de Malak dessa vez não foi respondido, mas ela pôde perceber um sorriso brotar ao canto dos lábios de seu aliado, repleto de escárnio e ar de deboche, como se ali nascesse uma pena daquele ser diante dos seus olhos.

Seeje esperava que nada fosse dito até chegarem em seu destino, mas logo teve suas intenções frustradas. Tão logo começou a guiar sua trajetória, teve seus ouvidos invadidos pela voz ácida de Loremont.

- Curioso, tenta me chamar de “cachorro” mas é você quem está latindo, desertor. Engasgado em palavras sem sentido que escorrem pelos cantos da sua boca enquanto você rosna, tentando colocar medo em alguém.

Loremont não tinha a menor preocupação ou intenção de medir poderes com Seeje, mas fez com que todo o seu poder adormecido fosse sentido, tanto por Malak quanto pelo Comandante, enquanto caminhavam. Na presença da Portadora da Grande Chama, o poder intensificado de seu Cavaleiro era tremendamente expandido, e com o tempo, Loremont aprendeu a ocultar toda a manifestação constante e imediata, convertendo-a em uma enorme reserva de energia viva. Até hoje seu corpo ainda carrega as marcas de um sofrimento tempestuoso, fruto do esforço e da dor responsáveis pela sua adaptação, quando absorver todo aquele poder imensurável para si ao invés de deixa-lo explodir estava longe de ser uma opção. E agora, que silenciosamente continuava a ser alimentado pelas chamas sob as asas da Fênix, possuía uma força que até mesmo ele desconhecia. Fez-se notar, silenciosa e discretamente, revelando em si mesmo um oponente que não temeria um exército de cadáveres ou bravatas de um orgulho ferido, tornando isso palpável em uma presença resoluta que não se dobraria nem mesmo se fosse derrotado, e isso sim era algo que desejava transparecer ao pretenso flamejante. Embora não tivesse manifestado uma centelha sequer, sabia que sua presença era plenamente viva. Somente então terminou sua resposta.

- E não se engane, a quantidade de seus lacaios não me intimida. Estava apenas calculando quantos eu teria que matar antes de enterrar minha espada em seu peito caso você tente alguma coisa contra Malak ou contra qualquer flamejante sob a minha proteção.

A firmeza nas palavras do Mestre de Armas reforçava uma mensagem objetiva e direta. Tinha um controle enorme de si mesmo, o que fazia com que cada sentença proferida traçasse destino certo, sem menções de ironia ou sarcasmo, mas não demonstrava preocupação se a interpretação fosse errônea. Nada mais teve a dizer, como se amistosamente encerrasse sua parte na conversa, e a partir dali apenas ouviria e reservaria-se a reagir em caso de ameaças. As palavras de Malak certamente açoitariam muito mais do que a carne sob as placas de metal que o desertor vestia, mas sim o seu orgulho, certamente estilhaçado diante daquele encontro, ainda que Loremont pouco soubesse. Guardaria para si cada palavra proferida pela regente, dignificando o Mestre de Armas como alguém de seu valor, pois sabia que estava junto dela por compartilharem dos mesmos propósitos e apoiarem-se um no outro ao invés de ter sua aliança comprada por punhados de ouro ou promessas mundanas.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Qui Set 15, 2016 9:46 am

Ainda no caminho para a sala, Seeje riu ligeiramente das respostas de Loremont e respondeu, enquanto andavam:

- Você sabe falar como um flamejante, isso tenho que admitir! Mas logo você vai perceber onde deve realmente depositar toda essa sua lealdade! - E então, uma vez na sala, esperou que Malak terminasse de falar. Quando ela disse que Firelands fora destruída pela guerra, seu semblante mostrou choque por alguns momentos, seguido de mais raiva. Virou-se para uma das paredes e quase não aguentou esperar a regente parar de falar para se virar a ela e responder:

- Está vendo? ESTÁ VENDO?? Firelands não existe mais por sua causa!! Os seus batedores nunca me encontraram porque eu não queria ser encontrado! Malak, você deveria ser a regente de Firelands até sua última fagulha! Você fez algo inacreditável para alcançar essa posição, derrotou Lord Pyron, que todos acreditavam ser invencível e que iria levar a nação rumo às trevas! Você era a nova esperança de Firelands, a chama que guiaria a todos para a glória dos flamejantes! E o que aconteceu? - Ele andava pela sala enquanto falava de forma agitada. Desnecessário dizer que o recinto estava quase em chamas por causa dos ânimos exaltados e por suas energias:

- Você deixou a influência do Império lhe tirar do poder! Tirar de você a posição que era sua por direito! Intrigas políticas lhe tiraram o que foi dado pela Grande Chama! HERESIA!! Eu acreditei tanto em você! Lutei por você, depositei minha vida, minha história e minhas crenças em suas mãos, para vê-la tornar-se uma simples conselheira de outro líder! E agora você fala de lealdade?? Você cuspiu na minha lealdade!! Foi você quem me traiu!! - Ele parou de falar, ofegante, apoiando as mãos sobre a mesa onde estava seu elmo, e prosseguiu, em um tom mais introspectivo:

- Eu não conseguia mais olhar em seus olhos. Não poderia ir contra você, pois isso seria considerado traição, e não poderia ir contra o novo regente, pois não tinha apoio suficiente. Não havia mais nada para mim em Firelands. Eram todos traidores para mim, aceitando a troca de poder de forma passiva. Desrespeitando a Grande Chama!! - E virou-se novamente, voltando ao tom energético: - Em Linda Morte eu encontrei um propósito claro! Mesmo aqui, neste pântano macabro, eu consigo entender as motivações! Até mesmo a lealdade dos homens ao ouro é mais clara para mim do que intrigas políticas de Imperadores! Pelo menos eu sei que Linda Morte nunca será destituída pela decisão de um conselho de velhos esnobes! Se alguém quiser o lugar de Linda Morte, terá que matá-la! É uma lógica simples, é o suficiente para mim e é assim que deveria ser em Firelands! - Deu uma risada irônica e concluiu, olhando para a porta da sala:

- E veja onde estamos agora! Você vem bater à porta da minha nova casa com os tolos que ainda acreditam em você e que estão pagando com suas próprias vidas, e depende de mim para que eles sobrevivam! - Virou-se para Loremont e disse: - Sinceramente, como ainda pode defendê-la??
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Qui Set 15, 2016 7:36 pm

Malak ouviu em silêncio enquanto Seeje vomitava toda sua fúria e as explicações que, para ele, eram suficientes para justificar seu comportamento. Não o culpava. Muito do que havia acontecido não estava sob seu controle e por mais que tenha lutado – o tipo de luta que um Mestre de Armas dificilmente entenderia, muito menos apreciaria por sua natureza naturalmente belicosa.

- Eu lutei até a minha última chance, Seeje. Eram lutas que você desconhece, travadas com palavras e influências. Acha que eu gostava? Acha mesmo? Ver o destino de flamejantes escapando por entre meus dedos? Apesar de todos os esforços, Seeje... – suspirou pesadamente, abrindo um pouco os braços - Seeje! Eu não podia arriscar todo um exército em uma guerra perdida! Nem se todos os flamejantes, mulheres e crianças empunhassem armas, nem assim conseguiríamos sobrepujar as alianças que foram formadas pelo Império enquanto articulavam contra mim. O imperador enlouqueceu antes de sumir! Eu tentei, Seeje... Eu resisti até quando podia, até o momento em que não arriscasse, por orgulho meu, a vida de quem depositou fé em mim. Acha que seria correto que eu enviasse todo o exército para uma luta perdida? Apenas pelo meu orgulho?

Malak continuava de frente para o desertor, não desviava o olhar. O cansaço em sua expressão parecia mais ressaltado nesse momento, tanto pela migração quanto pelo peso de suas decisões desde o começo das intrigas.

- Eu não espero que você entenda, Seeje. Não é da sua natureza. Mas às vezes a melhor opção é recuar para manter a segurança de quem depende de nós. Já não estava mais comigo quanto tentei uma última e derradeira chance para salvar Firelands... Eu apoiei um golpe contra o Império. Eu apoiei Lei Keylosh quando ele tentou retirar o imperador louco do poder, eu dei minha última cartada. Era minha última chance de reconquistar Firelands sem precisar causar um banho de sangue! Era minha responsabilidade... Seeje! Por orgulho nenhum eu carregaria nas costas todas as vidas que perderia ao ser imprudente e egoísta!! Nenhum reino vale isso, nenhuma glória vale isso. Destruir vidas e famílias? Não.

Abria um pouco os braços, com as palmas das mãos viradas para cima.

- As lutas mais importantes não são travadas em campos de batalha, muito menos são gloriosas. Mas são com elas que tive mais chance de garantir a soberania de Firelands e a vida de quem dependia de mim. Não consegui. Fracassei, isso é bastante óbvio diante dos seus olhos. Mas eu tentei... Ah como tentei! Jamais saberá todas os embates que travei, o que suportei, o que fiz por Firelands. Jamais...

Mais uma vez deu um pesado suspiro enquanto manipulava uma pequena chama na palma da mão. Malak desviou o olhar por instantes antes de continuar.

- Estou, sim, batendo à porta de sua “casa” com aqueles que carregam Firelands em seu coração, para ter a chance de reerguer um novo reino. Pela Grande Chama, Seeje, compreenda! Eu tive que fazer escolhas! De que adiantaria ter um reino dizimado pela guerra, sem um povo para governar? Sem flamejantes? Eu não nasci para ser rainha em um reino deserto. Não foi por isso que a Grande Chama me escolheu.. A decisão de entrar em uma guerra perdida seria retornar aos tempos de Pyron, significaria ser tão superficial e desprezível quanto ele. E o principal? Seria uma decisão simples. Seria extremamente simples! Mandar os exércitos, arriscar a vida de civis, destruir tudo! Tudo pela MINHA glória, pelo MEU título. Seria fácil! Difícil, Seeje, é estar aqui, ser a última esperança de quem sobreviveu à guerra civil. Difícil é decidir carregar a Grande Chama para onde quer que seja, enfrentando fome, doenças, perigos, humilhações, e mesmo assim continuar. Não por mim, nem por você, nem por Loremont... Mas por Adarah, por Najiri, por Dahkir... Firelands retornará em toda sua glória, Seeje, porque a carregamos sempre aqui. – tocava o próprio peito – Não são terras delimitadas que nos fazem flamejantes.

Fez uma breve pausa antes de continuar.

- Não espero que me compreenda, nem que me perdoe ou volte a ser leal a mim. Eu espero que você seja leal às suas origens, seus antepassados, seus semelhantes.

(Off. Tô me sentindo a Dilma. Na próxima ação vou saudar a mandioca no rabo do Seeje se ele não facilitar as coisas.)
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Loremont D'Allanur em Qui Set 22, 2016 12:34 am

[OFF: Isso aqui quase precisa de uma trilha sonora! Hauhauhuah https://www.youtube.com/watch?v=qwJj2EpC8vg]

Conforme ouvia os relatos de Seeje, soterrados pelos próprios lamúrios de um orgulho raso, Loremont confabulava silenciosamente sobre o abismo que o diferenciava daquele homem, questionando a si mesmo como puderam ocupar exatamente o mesmo posto. Sua visão de lealdade andava de mãos dadas com um caráter austero e justo, enquanto ele bradava lamentos de traição envolvendo nada além de poder. Jamais se permitiria comparar a alguém que não serve a um ideal sólido, mas a títulos e influências. O encarou o tempo todo, sem interromper, observando como o que parecia importar diante de tudo aquilo, para o desertor, era o único momento aonde ele podia se sentir em uma posição elevada, diante da condição de juiz perante a passagem pacífica da expedição de Firelands.

- Hmpf. Seeje...

Preparava a si mesmo para cuspir na cara de Seeje o que era um verdadeiro orgulho a se dignificar e honrar, mas respeitou o momento da resposta de Malak. E conforme suas palavras golpeavam o caráter do comandante, Loremont realçava as razões de estar ali do seu lado e em nome de Firelands. Não estava ali pela sua harmonia com a Grande Chama e sua portadora, tampouco pelo poder que isso representava, ser a lâmina defensora de todo um reinado e ter incontáveis guerreiros sob suas ordens, mas sim pelo propósito de lutar pelo que acreditava ser certo ao lado de quem compartilhava do mesmo ideal. E aquelas palavras certamente inflamavam sua convicção. Tão logo Malak concluiu, Loremont avançou em passos calmos, até que estivesse bem próximo de Seeje. Era resoluto em sua expressão, e o encarou firmemente antes de tomar para si o momento da fala.

- Curioso como você fala aos prantos sobre a nova esperança de Firelands, sobre o futuro utópico que você visualiza em seus sonhos frustrados e logo em seguida reforça o fato de ter fugido de lá. O que você fez por Firelands, Seeje? Me diga, o que você fez, antes de pensar em si mesmo? Aonde esteve você quando tudo ruiu, quando a Guerra Civil se armou? Quais foram os seus conselhos, quais foram os seus sacrifícios? – Loremont empurrava as palavras contra a razão perdida de Seeje, imóvel, pressionando-o apenas com a firmeza do olhar. – Quando todos precisaram de um Mestre de Armas, aonde você esteve? Ao ver que um mero posto poderia ser comprometido, colocou o próprio rabo entre as pernas e fugiu como um cachorro, como um cão covarde, ao ser ameaçado por uma pedra. – Suspirou em uma breve pausa. –  E você foi, pois não estaria mais seguindo alguém influente, você sentiu que perderia prestígio e poder, e então debandou, largando para trás todos aqueles que contavam com você TAMBÉM em momentos de necessidade e desgraça.

Respirou fundo, enquanto sua expressão começava a se armar com uma certa repulsa, franziu o cenho encarando aquele homem como alguém digno de um pouco de piedade por ter chegado tão baixo.

- Você, Seeje, não sabe o que é orgulho. Você não sabe o que é lealdade. Seu caráter é tão podre quanto os cadáveres que utiliza para lutarem em seu nome. A única coisa que você demonstra se importar é com poder, seu desespero cega seu próprio raciocínio, pois se Malak tivesse traído a Grande Chama, ela já teria sido ABANDONADA pela mesma, e ainda hoje ela brilha mais forte do que nunca. Eu sou uma prova viva disso, e você deveria lavar a sua boca antes de vomitar tanto sobre algo que você nunca será E terá. Quem em sã consciência condenaria a vida de milhares de pessoas em uma batalha perdida, apenas para “lutar até sua última fagulha”? Isso teria sido heroico para você? Tomar uma decisão estúpida e guiar a lealdade de uma nação em seu nome diretamente para o inferno, por não saber o momento de recuar? – Balançou negativamente a cabeça, recuando um único passo. –

- E veja aonde você parou... No meio da lama, cercado por cadáveres, aonde os poucos homens que empunham seu nome foram comprados por moedas. Minha diferença para você, Seeje, é que os flamejantes por quem eu arrisco a minha vida viverão para contar sobre a verdadeira lealdade de um homem diante daqueles que contam com ela. Eu permaneci e permanecerei lutando ao lado de Firelands e de Malak, independente de brasões ou coroas, porque não dobro meus joelhos para posses. Nós podemos reerguer os flamejantes dessa queda, pois continuamos aqui sem abrir mão dos ideais que nos motivaram desde o início... Já você... Quando o destino vier lhe cobrar o acerto de contas, será apenas mais um entre suas próprias fileiras de cadáveres, violados e esquecidos, perdidos sem um propósito e sem um descanso pacífico.

Realizou sua última pausa, sempre alvejando o homem a sua frente com um olhar cáustico.

- Malak respondeu sua pergunta por mim. As palavras que você ouviu dela são exatamente o motivo pelo qual eu posso e irei defendê-la. Se você um dia teve algum resquício de dignidade pelas vidas inocentes a qual jurou proteção, atenderá ao pedido que lhe foi feito. Mas caso seja incapaz de aceitar a última chance de tomar uma decisão certa por aqueles que você abandonou no passado, saiba que o seu cadáver será apenas mais um entre os tantos que eu esmagarei para abrir um caminho seguro para aquelas pessoas desesperadas lá atrás. Não fugirei como você e não trairei a esperança deles. E se você ordenar uma chacina em nosso acampamento como represália, eu não só retornarei aqui para arrancar a sua vida miserável como carregarei seu corpo comigo, para garantir que você também seja transformado em um morto-vivo, e o deixarei acorrentado em uma jaula, rodeado de ouro e vestido com a sua armadura, para que todos vejam o quão grandiosa foi a razão e o incentivo pelos quais o antigo mestre de armas desertou de Firelands. Veja como sou justo.

Estava feito. Loremont não havia entrado ali para retornar sem esperanças ao acampamento, e sua mensagem era clara. Não toleraria qualquer reação covarde, e Seeje ganharia um inimigo inestimável se optasse rechaçar sobre os inocentes por mera vingança pessoal.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Qui Set 22, 2016 12:40 pm

Seeje permaneceu de braços cruzados ouvindo o que Malak tinha a dizer. O cenho franzido deu lugar à uma expressão mais branda durante a fala dela. Seriam lampejos de compreensão vindos do antigo Mestre de Armas? Talvez fosse apenas dó de Malak, ou talvez fosse Seeje finalmente entendendo que a ex-regente realmente fez tudo o que estava ao seu alcance para salvar Firelands. Não era evidência de que ele de repente deixaria tudo para trás e voltaria a ser amigo, mas talvez fosse o início da mudança em seu pensamento.

Isto é, até Loremont começar a falar e colocar em cheque a lealdade de Seeje para com Firelands, além de insultá-lo e ameaçá-lo. Isto fez o ódio do guerreiro voltar à tona. Permaneceu encarando Loremont durante toda a fala dele e pareceu até mesmo rosnar diante da ameaça final. Por fim, foi até a mesa de madeira e apoiou as mãos sobre a mesma, suspirando pesadamente, como se estivesse refletindo sobre tudo o que foi dito. Quando parecia que daria uma resposta calma, Seeje empurrou e virou a mesa contra a parede, espalhando ao chão todos os objetos que estavam sobre a mesma, incluindo o elmo dele. Depois virou-se e vociferou contra Loremont:

- Como ousa questionar minha lealdade à Grande Chama?? Você não sabe de nada! Eu devia realmente ordenar a chacina, matar todos os flamejantes idiotas que os seguem, TODOS ELES, e tudo por causa dessa sua boca afiada! Como você se sentiria com isso, grande defensor dos flamejantes?? HÃ?? - Deu uma risada insana. Aquele, de fato, não era o mesmo Seeje que serviu à Malak anos atrás. Ele ajeitou os cabelos cor de fogo e se acalmou um pouco, ofegante, prosseguindo:

- Querem saber o real motivo pelo qual eu deixei Firelands? Foi por sua causa, Malak! - Apontou a ex-regente, olhando para ela. - Era minha obrigação, como protetor da honra de minha nação, lhe punir por não ter cumprido suas promessas perante a Grande Chama! Mas eu não podia fazer isso com a mulher que eu amava! Hahahaha! - Riu de sua própria situação, olhando para o teto. - Que escolha cruel a Grande Chama impôs a mim! Minha obrigação como flamejante contra meu coração! Ficar e violar meus votos ao meu país, ou ir embora para não ferir a mulher que eu amava e ser lembrado, para sempre, como um desertor! Agora vocês sabem o que eu escolhi. - Antes que qualquer um dos dois pudesse responder algo sobre isso, Seeje adiantou-se:

- Mas tudo isso está no passado agora. Todos os sentimentos, todos os conflitos. O que importa é o aqui e o agora! Não vou ferir aqueles que os seguem, pois são flamejantes. Existe apenas uma forma de salvá-los. Eu posso solicitar à Linda Morte mais suprimentos e seus civis seriam alimentados e curados. Mas eu sei qual seria a condição dela. Vocês devem se tornar seguidores de Linda. Devem se submeter completamente à vontade dela. Esta é a única forma de salvarem os flamejantes.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Qui Set 22, 2016 6:47 pm

Malak permaneceu olhando pela janela enquanto Loremont expressava sua opinião ácida a respeito das atitudes de Seeje. Ela sabia que aquele conflito não terminaria bem: eram dois mestres de armas extremamente orgulhosos, nenhum jamais cederia, principalmente após as ofensas subentendidas no discurso de ambos.

A regente estremeceu de susto quando Seeje virou a mesa e espalhou no chão todos os objetos. Talvez por uma fração de segundo ela deixou transparecer um pouco mais de seu lado ‘humano’, que sentia medo, insegurança e dúvidas. Os olhos negros fitavam o flamejante enquanto ele vociferava sem ser interrompido. Não era a mesma pessoa, não era o mestre de armas a quem Malak se entregaria de corpo e alma. Agora era um estranho enlouquecido... Pelo menos até ouvir a revelação que ansiou escutar por muito tempo.

Caminhou até parar diante de Seeje e, em um ato talvez imprudente, tentaria tocar seu rosto para um carinho gentil, quase ‘doce’. A condição oferecida por ele havia sido ouvida, sim, mas não seria respondida imediatamente.

- Seeje, eu te amei como nunca imaginei ser possível. – dito isso, recolheria a mão caso ele tivesse permitido o toque - Eu sei que nunca compreenderá e muito menos aceitará as atitudes que fui forçada a escolher. Não estava a par de todas as condições, estava distante de mim e eu não tinha mais com quem me aconselhar. Fiz o que pude, Seeje. Arrisquei tudo o que eu possuía, a Grande Chama sabe... Caso contrário, eu ainda teria tudo? Ainda alimentaria a sua chama como alimento? A de Loremont?

Malak voltaria a se afastar alguns passos, deixando um suspiro mais pesado no ar. Era óbvio que havia tristeza, decepção e ressentimento de ambas as partes e era mais óbvio ainda que nada seria resolvido naquele dia – ou talvez nunca.

- Eu não posso submeter aqueles que me seguem a essa condição, Seeje. Confiam em mim para leva-los a algum lugar seguro, não para submeter todos a uma mulher que usa mercenários e mortos vivos como exército. – o tom de voz permanecia baixo, controlado – É lamentável que imponha tal condição para apenas permitir a travessia de refugiados, flamejantes como você. Não esperava ouvir isso... Não de você, mesmo com toda mágoa e raiva que sente por mim. O que posso propor... Algum pagamento à Linda Morte, ainda tenho algumas posses. Arrumarei o que for preciso, desde que ela permita a travessia.

Malak despia-se do pouco que restava a ela, dispondo-se a pagar com suas poucas posses como regente – joias, basicamente – para salvar aqueles que a seguiam. Como seria após atravessarem? Não sabia.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Seg Out 03, 2016 8:55 pm

Quando Malak se aproximou de Seeje, o guerreiro moveu a cabeça para trás em reflexo, pensando que a regente faria alguma ação mais drástica. Mas então ela levou a mão até seu rosto e o tocou com carinho. Embora ele não tenha feito nada para afastá-la, o flamejante não conseguia olhá-la nos olhos, virando o rosto ligeiramente para o lado. O conflito interno de Seeje estava estampado em seu rosto. Ele não se orgulhava do que fez, mas acreditava ter feito o certo. Não conseguia encarar Malak de frente pois sabia que havia falhado com ela e, ao mesmo tempo, não acreditava que ela era digna da Grande Chama, através de sua própria lógica deturpada.

Sua pele avermelhada e áspera já não carregava o rubro vivo que possuía em Firelands. Seus cabelos alaranjados, sempre bem cuidados quando era Mestre de Armas, agora jaziam desgrenhados e sujos. Malak percebera que ele ganhara algumas cicatrizes novas no rosto. Seria fácil perceber isso tamanha a intimidade que tiveram anos atrás. Até mesmo sua armadura mostrava sinais de abandono, apresentando rachaduras e partes amassadas. Não era apenas aquele pântano que estava em ruínas, Seeje também estava. De qualquer forma, uma coisa era certa: Qualquer coisa que tiveram no passado estava tão morto quanto aquelas coisas horrendas que seguiam o guerreiro agora. Aquela era uma chama que nunca seria reacendida.

Frente à proposta de Malak, ele pensou por alguns instantes e então respondeu enquanto pegava seu elmo do chão:

- Eu deveria enviar sua proposta para Linda Morte e esperar pela resposta dela. Não sei quais são as intenções de Linda. Talvez ela aceite o que você tem de valor e deixe suas tropas passarem pelo pântano, desejando apenas manter o território. Ou talvez ela não se importe com isso e ordene que eu mate todos vocês. Eu deveria aguardar a decisão dela. - E fez dois segundos de silêncio, prosseguindo: - Mas não o farei. Esta é uma questão a ser resolvida de flamejante para flamejante. Para os diabos se Linda Morte discorda disso. - Ele colocou o elmo de volta e, como a peça era quase totalmente fechada, suas expressões sumiram quando o fez. Ele não tinha mais rosto, era apenas uma armadura que falava, o que combinava com a frieza do que dizia. Ele concluiu:

- Que a Grande Chama decida quem é realmente digno dela. Que os flamejantes, que são tudo o que sobraram de Firelands, decidam quem é digno de lidera-los! Malak Nawar, eu desafio você e seu Mestre de Armas para um Combate de Fogo! Eu escolherei um companheiro de luta e a batalha será de dois contra dois. Ela acontecerá amanhã, nos primeiros raios de sol, no meio do seu acampamento, na frente de todos os seus seguidores. Eu irei até lá com minhas tropas e eles garantirão que não possa haver intervenções! Malak, você aceita meu desafio?

Malak conhecia muito bem aquele costume, pois derrotara o antigo regente Lord Pyron através daquele combate. Ela também se lembrava de que recusar o desafio ao Combate de Fogo era considerado desonroso perante os costumes de Firelands. Mas não estavam mais em Firelands e caberia à ela decidir como responder a isto.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Seg Out 03, 2016 9:27 pm

Não era difícil para Malak perceber o conflito de Seeje, a luta interna que travava entre o passado e o presente. Lutava, ela mesma, para aceitar que aquela havia sido a escolha de seu ex-Mestre de Armas. Custava acreditar que ele não a considerava digna, que não havia se doado o suficiente por Firelands. Os olhos percorreram os detalhes do rosto de Seeje, seus cabelos, sua decadência. Ver quem era o orgulho personificado em tal estado era doloroso para a regente, ainda que não existisse qualquer possibilidade de retornarem aos sentimentos do passado.

Após se afastar alguns passos, Malak virou-se outra vez para Seeje enquanto ele dizia sua decisão. Apesar de surpresa com a iniciativa do comandante de desobedecer sua líder, pouco alterou a expressão de seu rosto. Diferente do guerreiro, a regente ainda conservava a beleza embora agora o cansaço e desgaste de tudo o que enfrentou e enfrentava era bastante visível.

- Um Combate de Fogo...? – murmurou enquanto olhava o elmo desgastado = Eu aceito, Seeje. Aceito seu desafio, aceito que seja diante daqueles que me seguem. Se eu cair, cairei com orgulho por tudo o que fiz e enfrentei por eles. E por que não apenas eu contra você e Loremont contra quem você escolher, Seeje? Julga precisar de ajuda para derrotar quem, segundo suas convicções, “não é digna da Grande Chama”?

(Off. Enquanto isso, no acampamento, flamejantes pintavam faixas com "Fora Seeje", "Golpe" e "Não passarão", "Regenta presidenta, coração valente")
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Seg Out 03, 2016 10:04 pm

Seeje respondeu à Malak rapidamente para esclarecer o desafio:

- Ele é seu Mestre de Armas e deve estar sempre disposto a morrer por você. Eu também teria lutado por você no Combate de Fogo se o desafio me incluísse. É claro que ele pode recusar, mas se fizer isto, enquanto houver um flamejante vivo no mundo, este flamejante se lembrará de seu Mestre de Armas como um covarde. O lado vencedor decidirá o futuro do que restou de Firelands. A Grande Chama quis isto. Nosso encontro aqui não foi um mero acaso, Malak. - Disse Seeje, e não era possível dizer se ele estava olhando diretamente para Malak ou não, por causa do elmo.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Minami / Hatsuko em Seg Out 03, 2016 10:17 pm

- Não creio que você tenha moral suficiente para exigir qualquer coisa do meu Mestre de Armas, Seeje. Ele permanece ao meu lado mesmo diante de adversidades imensuráveis, não desertou em momentos de insegurança ou dúvida, não questionou a escolha da Grande Chama.

Malak ainda respondeu em tom de voz baixo, calmo, como se conversasse sobre qualquer coisa trivial. Voltava para perto da janela enquanto aguardava a resposta de Loremont.
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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

Mensagem por Admin em Seg Out 03, 2016 10:38 pm

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Re: Malak Nawar e Loremont - Pântano das Almas Nefastas (Encerrado)

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